Reflexões / Matutações

Saudade ou esperança?

03/07/2017

A leitura dos Atos dos Apóstolos sempre impressiona... O Evangelho se torna “concreto” pelo Espírito Santo derramado em Pentecostes: “Todos os que abraçavam a fé viviam unidos... Perseverantes e bem unidos... partiam o pão pelas casas... Louvavam a Deus e eram estimados por todo povo. E, cada dia, o Senhor acrescentava a seu número mais pessoas que eram salvas”. – Atos 2,44.

Fico matutando:Saudade ou esperança? Muitos consideram a narrativa dos Atos dos Apóstolos um sonho e nada mais. Até se argumenta que esse ideal não é possível no contexto atual: o progresso e as demandas da vida moderna impossibilitam a experiência da comunidade fraterna e solidária. Outros pensam ser um "paraíso perdido" que só os saudosistas (e alienados) procuram.

O Espírito Santo, a partir de Pentecostes, continua sendo derramado sobre a Igreja e aqueles que creem! Portanto devemos esperar os frutos do início. Mesmo com todos os nossos limites, somos chamados ao testemunho do amor de Deus que foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado – Rm 5,5. A vida fraterna deve ser o sinal que nos distingue neste mundo que tem se tornado tão individualista e egoísta.

"Mestre, qual é o maior mandamento da lei? Ele respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu entendimento. Este é o maior e o primeiro mandamento. Ora, o segundo lhe é semelhante: Amarás teu próximo como a ti mesmo. Toda Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos” - Mt 22, 36.

O amor a Deus é como a raiz de uma árvore. Se bem plantada em nosso coração, os frutos amor ao próximo serão abundantes! Na Parábola do Bom Samaritano, motivada pela pergunta do “doutor de lei”, Jesus explica que o próximo é aquele de quem eu me aproximo! - Lc 10,25. Mas não fica aí!

Jesus ao dar “seu novo mandamento” - "amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”, Jo 15,12 – vai além do “como a nós mesmos”, coloca o amor ao próximo como semelhante ao amor na Trindade! Ele quer que o “jeito de ser da Trindade” se realize aqui na terra! A pequena palavra "como" compromete!

S. João Paulo chamou esse “jeito de ser” de “espiritualidade de comunhão”, que é a vocação à vida fraterna! Esta é a contribuição social que a comunidade cristã tem a oferecer a esse mundo, pois o amar o próximo como Ele nos amou implica em solidariedade com o necessitado e com aquele que sofre de maneira efetiva. O amor ao próximo é também um programa social!

Fico matutando o que seria de nosso mundo se vivêssemos uma “espiritualidade de comunhão”... Espiritualidade da comunhão significa ter o olhar do coração voltado para o mistério da Trindade, que habita em nós... Significa a capacidade de sentir o irmão como "um que faz parte de mim', para saber partilhar as suas alegrias e os seus sofrimentos e dar remédio às suas necessidades, para oferecer-lhe uma verdadeira e profunda amizade”. – S. João Paulo II.

Espiritualidade da comunhão é saber "criar espaço" para o irmão, levando "os fardos uns dos outros” e rejeitando as tentações egoístas que geram competição e fechamento. Não tenhamos ilusões! É necessário que sejamos um, “a fim que o mundo creia”- Jo 17,21!

Vida fraterna: fruto de Pentecostes!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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