Reflexões / Matutações

O cristianismo exige um amor entre irmãos

21/06/2017

Foi um dia muito “intenso”... Quatro reflexões densas, coisa novas foram ditas e as antigas revisitadas. Aprendizado, crescimento, convívio fraterno, encontros, pertilha, alegria. A Coferência “O Espírito Santo nossa esperança” foi um “evento” – com diria Salvatore Martinez – muito interessante e rico.

 Fiquei matutando algumas coisas que a Conferêcia trouxe a minha memória e, algumas até já escrevi...

 Uma delas é que os Atos dos Apóstolos nos apresenta como fruto de Pentecostes uma fraternidade de cristãos, discípulos de Cristo, estreitamente unidos entre si, até à partilha dos bens. Os primeiros convertidos aparecem como: uma comunidade, assídua ao ensinamento dos apóstolos; vida fraterna sustentada por reuniões e relacionamentos; vida eucarística, vida de oração - Atos 2,42.

 A vida fraterna foi o sinal de credibilidade. A comunhão fraterna – a koinonia – nascia de um encontro com Cristo pelo Espírito. Comunhão em primeiro lugar com Jesus e unidade com os irmãos que proclamam o mesmo Senhor. Ela era testemunho – martirya – ao mundo que podia levar até à morte. A comunhão fraterna era serviço – diakonia – de solidariedade com os irmãos em necessidade.

 A vida cristã – vida no Espírito – é por essência comunitária. O caráter próprio dos carismas é ser uma manifestação do Espírito em vista do bem comum, sendo a primeira garantia de sua autenticidade é o próprio bem comum. Hoje, como sempre, o cristão tem necessidade de comunidades, não para alienar-se do mundo, mas inserida no mundo a comunidade cristã tem força do sal, força do fermento transformador das realidades.

 Uma comunidade não é autenticamente cristã a não ser que tenha respondido ao apelo de Jesus Cristo para ser conduzida por seu Espírito ao coração do mundo. Jesus Cristo é a pedra angular, o fundamento de toda comunidade cristã. Para que uma comunidade cristã possa viver e sobreviver, tem necessidade de uma razão de existir, Esta razão é Cristo. Nada pode substitui-la. Ele a anima interiormente por seu Espírito. Sem ele, pode haver encontro de pessoas, mas não há verdadeira comunhão.

 A Comunidade fraterna é um sinal profético daquilo que poderia tornar-se o mundo se acolhesse Jesus como o Salvador do mundo. A raiz última dos males deste mundo é o pecado. Somente Jesus pode transformar na profundidade o coração humano e, por conseguinte, as estruturas gerando assim “a civilização do amor”- S. João Paulo II.

 O cristianismo exige um amor entre irmãos e este amor é prioritário. São João nos ensina que a medida deste amor ao irmão é o amor que o próprio Jesus tem por nós - Jo 13,34. Pode parecer um sonho impossível dizer que “a vida cristã renovada nos dias de hoje passa pelas pequenas comunidades” – Bento XVI.

 Devemos considerar que em todo grupo que aceita que Cristo o anime de seu Espírito, tudo muda de valor porque entra na virtude e no próprio poder de Deus. O "pequeno rebanho do Evangelho" é o próprio símbolo de uma minoria cristã, a “semente de mostarda” que, na realidade, transformam o mundo.

 

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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