Reflexões / Matutações

A vida espiritual

16/06/2017

Encontrei num livro antigo – “A vida espiritual” de Benedikt Baur, 1960 – um ditado cheio de sabedoria e experiência: “na vida espiritual, não avançar é retroceder”.

 Fiquei matutando... De fato aquele que não busca crescer e escolhe permanecer somente na “manutenção” da vida no Espírito, sem desejar ir além e vencer a “inércia da mediocridade”, acaba por desistir. É semelhante aquele equilibrista que para no meio da corda bamba, não avança, balança até cair. Muitos cristãos vivem situação semelhante: parados, não avançam um só passo “na vida no Espírito”, tendem a cair... A alma nunca pode “ficar na mesma”.

 O padre João Rinja, velho diretor espiritual, uma vez chamou a minha atenção: “você se lembra da sua primeira comunhão? A roupa que vestia? Veja se consegue vesti-la novamente! Você cresceu e também sua fé e caridade devem crescer juntas com você, senão acontece o que aconteceria se tentasse vestir o terninho da primeira comunhão: rasgaria tudo e você ficaria nu”.

 Tenho observado que alguns cristãos que, por algum tempo, parecem ser “firmes na fé” de “repente” desistem, mergulham numa crise e abandonam tudo... Parece que houve um afundamento repentino e inexplicável. Mas, na maioria das vezes, aconteceu que essas pessoas estavam acomodadas e a “mediocridade” passou a ser o critério... Cresceram em tudo, mas não cresceram na fé, tentaram viver com o “terninho da primeira comunhão” terminaram nus...

 Ainda o padre João “Velhinho”: “como água fina que penetra pelas rachaduras de uma casa, vai desgastando a parede até tudo desabar, assim a mediocridade da acomodação esvazia as virtudes, enfraquece a vontade, gera a desistência... Tal como na vida do corpo, a falta de renovação traz a necrose”.

 Muitas vezes justificamos nossa falta de progresso culpando as dificuldades próprias da vida cristã, mas na verdade a resposta é outra. O que acontece é a recusa em crescer. A vida cristã pede sempre “um pouco mais”: um pouco mais de generosidade, de abnegação e esquecimento próprio, um pouco mais de humildade... Cada apelo para crescer é visto pelo coração acomodado como um obstáculo intransponível.

 Precisamos crescer até o “estado de adultos, à estatura de Cristo em sua plenitude” para não sermos “como crianças” “levados por todo vento de doutrina” e “ludibriados pelos homens”. Devemos crescer, “vivendo segundo a verdade”, em Cristo – Ef 4,13.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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