Reflexões / Matutações

Quais são os nossos limites?

13/06/2017

Sem fazer juízo moral de ninguém, muitos daqueles que se dizem cristão – pelo menos “no papel” - não assumem a féna prática: se conformam com uma interpretação aguada do Evangelho e reduzem o amor a Deus e ao próximo ao limite do “razoável” e “confortável”.

 Fico matutando... Todos nós, sem nos apercebermos disso, tendemos a colocar na vida cristã uma barreira, um limite, que não ultrapassamos. Estamos dispostos a chegar “até certo ponto”, mas não além. “Alguma coisa”, dentro de nós, parece aconselhar: não exagere, seja “prudente”, “menos”, e, desta maneira, acabamos por acender uma vela a Deus e outra ao diabo, conformando-nos com “fazer média”, na fronteira do “politicamente correto”... Acabamos por “servir a dois senhores” – Mt 6,24.

 Muitos têm, na vida prática, um limite de sacrifício e renúncia, um limite de perdão e misericórdia, um limite de empenho e de entrega às coisas de Deus... É como estivessem levantado uma barreira, denominada “o razoável”, que não atravessam e qualquer exigência de virtude que for além dessa fronteira é visto como um exagero, ou fanatismo...

 Quais são os nossos limites? Tenho a impressão de que muitos tendem a colocá-los em um nível cada vez mais estreito. Influenciados pelas pressões de uma sociedade de “bem-estar a todo o custo”, sem ideais e sem fé, encolhem-se, não “buscam as coisas do alto”, e refugiam-se num tipo de vivência moral acomodada, que evita qualquer conflito. O absurdo é que são considerados “exageros” as exigências mais comuns do Evangelho... Minimiza-se a Palavra reduzindo-a a um escrito cultural e histórico somente, fruto da interpretação de um mito...

 Nossa alma foi feita para voos mais altos, nossa vocação cristã chama-nos para ideais mais elevadas. Daí o inevitável conflito que se trava em nosso interior. Só sairemos dele quando resolvermos de uma vez por todas a quebrar o “teto baixo” e a escancarar as portas da generosidade de nosso coração.

 Essa “tentação da mediocridade”, todos nós temos. É fácil verificar: daquelas exigências de fé que nos são feitas, basta identificar as que achamos “demais” e que nos fazem murmurar... e reconhecer, com vergonha, que o problema não é que sejam “muito altas” é que voamos como “frangos de capoeira”...

 Parece ser demais assumir compromissos da vida no Espírito (missão, comunidade, oração, liturgia) para quem é incapaz de prescindir dos “compromissos da agenda social”, ou “abrir mão” do “happy hour”... Parece exagero passar um fim de semana num Retiro Espiritual, ou um momento de adoração para aquele que não pode perder “a pelada com os amigos”, ou “a caminhada diária” para manter a forma...

 Para o cristão, o limite normal é: amar como Ele amou - Jo 13,34.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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