Reflexões / Matutações

Pós Pentecostes

07/06/2017

Tem dias que alguns textos da Sagrada Escritura provocam mais... Neste “pós Pentecostes” um desses textos tem provocado algumas matutações... "Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim fará também ele as obras que eu faço; antes, fará até maiores, porque eu vou para o Pai" - Jo 14,12.

 Quais foram essas obras de Jesus? Ele mesmo as mencionou aos mensageiros de João: "Ide contar a João o que vistes e ouvistes: cegos recuperam a vista, coxos andam, leprosos ficam limpos, surdos ouvem, mortos ressuscitam, aos pobres é anunciada a Boa -Nova" - Lc 7,22. Portanto, tais obras podem fazê-las também aqueles que creem em Jesus. E para fazer as mesmas obras não é estritamente indispensável ser santo, no sentido que damos hoje a essa palavra, ou seja, ter atingido á perfeição e consumir-se na prática das virtudes.

 Jesus não exige a santidade, mas que se creia nele. Ele não disse: "quem é santo", mas: "quem crê em mim fará também ele as obras que eu faço", o que quer dizer: aquele que crê na sua onipresença divina. "Aos que crerem os acompanharão estes milagres". E não: aos que, por primeiro, tiverem atingido a santidade.

 Relacionando exageradamente "santidade" e "milagre", como se se tratasse de causa e efeito, corremos o risco de fazer crer que é o santo que opera o milagre e não a onipotência de Deus.

Quem cria a obra-prima é o gênio e não a pena, nem o pincel, nem o cinzel. Podem-se escrever versos sublimes, mesmo com um pedaço de carvão ou esculpir uma estátua de Moisés com um cinzel bem comum.

 Os apóstolos e os primeiros cristãos foram homens normais e não super-homens. O Espírito de Pentecostes permaneceu e operou neles, mas como em vasos de barro. Os carismas são dons gratuitos do Espírito Santo e não prêmio pelas nossas virtudes. Não se recebe esses dons por uma questão de mérito, mas por bondade do doador. Os dons são distribuídos a todos os que creem, não sendo, portanto, prerrogativa dos santos.

 Será que os carismas são necessários para a Igreja de hoje? Penso que os carismas são tão necessários para os cristãos de hoje como o foram para Cristo mesmo, para os apóstolos e para a Igreja primitiva.

 Como podemos, hoje, pretender evangelizar o mundo — mundo pagão e hostil como no tempo de Cristo — sem que a nossa pregação seja acompanhada e corroborada pelos "sinais" por ele prometidos? Se a missão que temos a realizar é a mesma dos apóstolos, não se compreende que não tenhamos também a mesma ajuda que eles tiveram.

 Os tempos de hoje não são melhores que os do início da missão. Encontramo-nos diante de um mundo pagão e, infelizmente, a Igreja enfraquecida diante da imensa tarefa. Não são suficientes só as nossas palavras. Também hoje são necessários sinais extraordinários, é preciso que a nossa fé se torne visível e que manifeste o poder de Deus.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

Deixe seu comentário

Últimas


O farisaísmo é “um caminho segundo a carne” - 18/10/2017

O fermento dos fariseus - 17/10/2017

Os tempos atuais não são fáceis.. - 16/10/2017