Reflexões / Matutações

"Vigília de Pentecostes"

02/06/2017

Nesta “Vigília de Pentecostes”, “Pentecostes dos 50 anos de RCC”, penso que é oportuno recordar que o “Espírito é a nossa esperança”, nestes dias tão difíceis que vivemos. O otimismo não alienante e esperançoso que nos faz crer e esperar é fruto do Espírito, é um não ao desespero e negação da vida. Como é bom recordar e matutar estas coisas...

 Relendo o livro “Espírito Santo, nossa esperança”, Paulinas 1975... Cardeal Suenens, um dos moderadores do Concílio Vaticano II e o grande responsável pelo acolhimento da RCC na Igreja, quando em seu início despertava desconfianças e receios de um cisma, expressou sua convicção na esperança renovada que o despertar para a experiência do Espírito trazia à Igreja.

 O texto a seguir é a resposta do Cardeal a um repórter que lhe perguntou por que era um homem de esperança.

 Porque creio que Deus é novo cada manhã; que ele cria o mundo neste preciso , instante, e não em algum passado nebuloso, esquecido. Isso me obriga a estar pronto para o encontro, a cada momento.

 Porque ·o inesperado é a regra da· Providência. Este Deus "inesperado" nos salva e nos liberta de todo determinismo e frustra os prognósticos sombrios dos sociólogos. Este Deus inesperado é um Deus que ama seus filhos, os homens. É aí que minha esperança lança raízes.

 Sou homem de esperança, não por razões humanas ou por otimismo natural. Mas simplesmente porque creio que o Espírito Santo está em ação na Igreja e no mundo, pouco importando que este o saiba ou não.

 Sou homem de esperança, porque creio que o Espírito Santo é para sempre Espirito Criador, que dá cada manhã, a quem o acolhe, uma nova Iiberdade e uma provisão de alegria e de confiança.

 Sou homem de esperança, porque sei que a história da Igreja é uma longa história, toda repleta de maravilhas do Espírito Santo. Pensemos nos profetas e nos santos, que, em horas cruciais, foram instrumentos prodigiosos de graças, e projetaram no caminho um feixe luminoso.

 Creio nas surpresas do Espírito Santo. João XXII foi uma delas. O Concílio também. Pouco esperávamos de um e de outro. Por que é que a imaginação de Deus e seu amor ter-se-iam

esgotado na hora presente?

 Esperar é um dever, não um luxo. Esperar não é sonhar, pelo contrário: é o meio de transformar um sonho em realidade. Felizes daqueles que ousam sonhar, e estão prontos a pagar o alto preço, para que seu sonho tome corpo na vida dos homens.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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