Reflexões / Matutações

Definir a ação do Espírito Santo

26/05/2017

Um dia desses, relendo um livro antigo – Pentecostalismo entre os Católicos, Rene Laurentin, 1977 – fiquei matutando... É um trabalho delicado e difícil definir a ação do Espírito Santo. Enfrentamos a dificuldade de falar de uma “vinda” nova do Espírito, sabendo que o Espírito já foi dado no batismo. Trata-se de uma “nova vinda” do Espírito já presente, de uma efusão que não vem de fora, mas que jorra a partir de dentro.

 Jesus disse: "Se algué tem sede, venha a mim, e beba quem crê em mim – conforme diz a Escritura: do seu interior correrão rios de água viva”. E o evangelista observa que "Ele disse isso falando do Espírito que haviam de receber os que acreditassem n’Ele” - Jo 7,37. Trata-se de um jorro, de um “fluir de dentro”, de uma ação do Espírito que desprende e liberta o poder que está latente. Refere-se a uma tomada de consciência, de caráter experiencial, da sua presença e de seu poder.

 Agnes (Inês) Ozman, a primeira mulher a experimentar o batismo no Espírito do século XX (01.01.1901), em Topeka (Kansas – EUA), numa escola metodista fundada por Charles Parham, testemunha em uma publicação de 1920: “era como se rios de água viva jorrassem no mais profundo de meu ser”! – por Laurentin, pag.23.

 "Uma experiência religiosa que introduz alguém num sentido decisivamente novo da presença onipotente de Deus e de sua ação em sua vida”. – Pe. Francis Sullivan

 Quando se trata de uma nova vinda, uma nova missão, do Espírito Santo na alma do batizado, é preciso partir do fato fundamental de que o cristão já recebeu, no batismo, a plenitude do Espírito Santo. Este não está mais para vir; está radicalmente presente no ponto de partida da vida cristã, mesmo se a tomada de consciência desta realidade só se fizer mais tarde. O Espírito está nele, a promessa de Deus está realizada, o batizado é morada da Santíssima Trindade.

 São Lucas associa a vinda do Espírito Santo a uma missão de poder: "Mas recebereis o poder do Espírito Santo que virá sobre vós para serdes minhas testemunhas..." – At 1,8. Não são os apóstolos sozinhos as testemunhas, mas os apóstolos sob o impulso do Espírito e é só pelo Espírito que podem atestar o sentido dos fatos referentes a Jesus Cristo.

 A fé ensina que este poder do Espírito não é reservado aos apóstolos, ele faz parte integrante de nossa herança. Ainda, que este poder não é fruto de uma “estrutura organizacional”, mas dom; mais ainda, que este poder não pertence a nenhum “movimento” ou “lider”, é “para todos”

 Ah! Seousássemos acreditar verdadeiramente, venceríamos o medo do testemunho, enfrentaríamos as “feras modernas e pós-modernas”, sofreríamos o “martírio diário” com “profecia nos lábios e fogo no olhar”...

 Ah! Se ousássemos acreditar que a vida no Espírito não é somente uma prática ascética, fruto de nosso esforço, mas uma obra do Espírito em nós apoiada em sua presença e poder.

 É preciso não ter medo! É preciso avançar! Ousar! Parresia... O “dia se aproxima”!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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