Reflexões / Matutações

O Espírito realiza a nossa união a Cristo

25/05/2017

 Estava matutando que a presença do Espírito Santo realiza a nossa união a Cristo, já que se trata do Espírito do Filho de Deus, no qual nos tornamos filhos. Espírito de Cristo - Rom 8,9, não somente do Espírito de Deus.

 A propósito o Papa Bento XVI, escreveu: “se Cristo é o Filho de Deus, o seu Espírito é também Espírito de Deus e assim, se o Espírito de Deus, Espírito de Cristo, se torna já muito próximo a nós no Filho de Deus e no Filho do Homem, o Espírito de Deus se torna também espírito humano e nos toca; podemos entrar na comunhão do Espírito”.

 “Ninguém pode dizer “Jesus é o Senhor”, se não sob a ação do Espírito Santo” 1Cor 12,3. Portanto, o Espírito orienta o nosso coração a Jesus Cristo, de modo que não somos nós que vivemos, mas o Cristo que vive em nós – Gl 2,20. Santo Ambrósio afirma: “Quem se inebria do Espírito, está enraizado em Cristo”.

 Quando o Espírito de Cristo se torna o princípio interior de todo o nosso agir, ou seja, quando deixamos o Espírito Santo nos conduzir e não o espírito do mundo, aparece como primeiro fruto a oração.

 “Orai no Espírito” – Jd 20. Na oração, somos colocados, pelo Espírito, em condição de abandonar e superar todo medo e escravidão, vivendo a autêntica liberdade dos filhos de Deus. Sem a oração que alimenta cada dia o nosso ser em Cristo, em uma intimidade que cresce progressivamente, nos encontramos naquela condição de “não fazermos o bem que queremos, mas sim, o mal que não queremos” - Rom 7,19. E isto é a alienação do ser humano, a destruição da nossa liberdade, o ser para o pecado: queremos o bem que não fazemos e fazemos aquilo que não queremos, o mal.

 Paulo ensina que não é a nossa vontade que nos liberta desta condição e nem mesmo a Lei, mas sim, o Espírito Santo. E já que, “onde está o Espírito do Senhor, está a liberdade” - 2Cor 3,17, com a oração experimentamos a liberdade doada pelo Espírito: uma liberdade autêntica, que é liberdade do mal e do pecado, para o bem e para a vida, para Deus.

 A liberdade do Espírito não se identifica nunca com a libertinagem, nem com a possibilidade da escolha do mal, mas sim, com o fruto do Espírito que é amor, alegria, paz, bondade, fidelidade, mansidão e domínio de si... - Gal 5,22. Esta é a verdadeira liberdade: poder realmente seguir o desejo do bem, da verdadeira alegria, da comunhão com Deus e não ser oprimido pelas circunstâncias que nos apontam outros caminhos...

A oração não nos libera das provas ou dos sofrimentos, mas, pela oração, podemos vivê-los em união com Cristo, com os seus sofrimentos, na expectativa de participar também da sua glória - Rm 8,17.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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