Reflexões / Matutações

A experiência da fé

19/05/2017

Na reunião do Discipulado S. Padre Pio

 Chamamos de “batismo no Espírito Santo”, a experiência que ocorre quando o Espírito se manifesta à consciência, produzindo, muitas vezes, uma sensação de presença concreta de Jesus e de poder. Este sentimento de presença concreta e de fato, corresponde à percepção da proximidade de Jesus como Senhor, à compreensão íntima de que Jesus é real e é uma pessoa. Frequentemente este sentimento de presença é acompanhado de uma consciência de poder, mais especificamente — o poder do Espírito Santo. O texto de Atos 1,8 se refere ao Espírito Santo como experiência de força ou poder (Vulgata) e ainda no discurso na casa de Cornélio, Pedro se refere a esta mesma experiência como unção do Espírito e de poder (At 10,38).

 “Este poder é experimentado em relação direta com a missão. É um poder que se manifesta como uma fé corajosa (parresia), animada por um novo amor que nos torna capazes de empreender e de levar a cabo grandes coisas pelo Reino de Deus, muito acima das capacidades naturais”.– Orientações Teológicas e Pastorais da Renovação Carismática Católica.

 A experiência religiosa não é fundamentalmente um ato da pessoa humana, é antes a ação de Deus no homem. Portanto não se refere originariamente à emoção ou à elevação emocional. Muitos não conhecendo a experiência que se faz na Renovação Carismática confundem a expressão de uma “experiência profundamente pessoal com um sentimentalismo superficial”. – Orientações Teológicas e Pastorais da Renovação Carismática Católica.

 A experiência da fé se apodera do homem por inteiro: corpo, inteligência, afetividade, emoções... A modernidade situou o encontro com Deus no nível de uma fé, concebida por muitos de uma forma puramente intelectual. A experiência da fé inclui as emoções. A tentativa de separar a razão das emoções, como se estas fossem sem valor, é reducionista. Experiência, no contexto desta reflexão, é a ação de Deus no homem e que produz também uma experiência emocional, por ser o homem também constituído de emoções.

 A experiência de fé, como a descrevemos aqui, verifica-se, muitas vezes, num tempo determinado, com data e local conhecidos. Heribert Mühlen, em Fé Cristã Renovada (Loyola, 1975), chama a esta experiência de “experiência de impacto ou de crise”. Embora a experiência da fé possa vir pelo crescimento, no qual a presença ativa do Espírito Santo recebido no batismo se torna consciente através de um processo de amadurecimento, sendo essa a experiência mais comum aos católicos romanos, para a qual contribuíram muitas “escolas de espiritualidade” e as catequeses a respeito do esforço pessoal e ascese.

 Nós católicos romanos não temos familiaridade com a experiência de impacto ou de crise, embora seja ela conhecida. Apesar de ser uma via autêntica de encontro com Deus, deve-se reconhecer que existe aí uma possibilidade de ilusão.

 Alguns têm medo de uma experiência que pode ser fortemente emocional, embora autêntica, devido aos elementos subjetivos que contém e a consequente possibilidade de auto-ilusão. É verdade que certa reserva é indicada em matéria de experiência religiosa. “Mas um ceticismo sistemático nesse domínio privaria a Igreja do aspecto experiencial de sua vida diária no Espírito, aliás, privaria a Igreja de toda a tradição mística. O temor à experiência religiosa não deve, pois, levar à rejeição do que faz parte integrante da vida plena da Igreja”. – Heribert Mühlen, Fé cristã renovada, Loyola.

 

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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