Reflexões / Matutações

Viver na carne e viver no Espírito

17/05/2017

Numa dessas tarde que “escorregam lentamente”, depois de um “dia daqueles”, sentei-me no tronco velho, na beira do lago, perto da cozinha... De repente, sem aviso, me vi matutando sobre estas duas opções: viver na carne e viver no Espírito...

 Viver segundo a carne é, essencialmente, viver somente segundo os padrões humanos, estabelecer os valores e critérios, decidir a direção a tomar, escolher os interesses a servir, fazer projetos sem considerar nada mais senão a si mesmo. Viver segundo a carne não está exclusivamente relacionado com pecados, mas com um sentido de vida em que o transcendente não conta. O homem que vive segundo a carne é o homem natural, “sem espírito”... Muitos vivem a religião assim, “na carne”...

 A alternativa à vida segundo a carne é a vida segundo o Espírito. Considerei que a vida no Espírito é simples, tão simples que temos dificuldades em aceitá-la. Lembrei a história de Naamã, o general assírio que ficou leproso. Foi consultar o profeta Eliseu que o mandou lavar-se sete vezes no Jordão. Naamã achou a ideia doida ou simples demais. Para mergulhar num rio teria ficado na sua terra. O criado foi sensato:Se o profeta tivesse exigido algo difícil não o farias? Então porque recusas fazer uma coisa simples? Naamã seguiu o conselho, mergulhou no Jordão e ficou limpo - 2Rs 5,10.

 Alegrei-me: não é preciso fazer nenhum curso complicado para a pessoa mudar da vida segundo a carne para a vida segundo o Espírito. Basta ver o que aconteceu no Pentecostes, quando os discípulos foram batizados no Espírito Santo!

 Olhando o sol que “despencava”, matutava... Quando experimentamos o amor de Deus dentro de nós, quando experimentamos Deus amando dentro de nós, tomamos consciência das nossas faltas, reconhecemos que somos pecadores. O arrependimento, que o discurso moralista e farisaico não consegue, nasce naturalmente porque experimentamos o amor do Pai. A conversão não é fruto só de nosso esforço, como pensa o homem na carne, mas é o resultado do amor de Deus derramado em nosso coração.

 É... Se nem todos se convertem, não se arrependem, é porque não experimentam o amor de Deus... Se o amor não fosse evidente em Jesus, Maria de Magdala não teria tido a ousadia de se aproximar dEle, não teria se arrependido e ficado grata, tornando-se uma discípula...

 O arrependimento gera a gratidão, e este se torna o sentimento central da vida. Não há vida cristã feliz que não seja uma vida fortemente marcada pela gratidão. É a gratidão que nos leva a dizer: “minha vida atual na carne, eu a vivo na fé, crendo no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” – Gl 2,20... Agora quero me entregar por Ele...

 “O amor de Deus foi derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi dado” – Rm 5,5. Não há outro sinal para saber se alguém está, de fato, vivendo no Espírito do que o amor que ele manifesta. Quem ama conhece Deus – 1Jo 4,7...

 Fim da tarde... A noite chegando mansa... Missão! “Vamulá”! Como é boa esta vida...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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