Reflexões / Matutações

Discernir a vontade de Deus

12/05/2017

Respondendo a um e-mail...

 Querido amigo, penso que o assunto que estamos tratando se refere ao discernimento. As coisas que escreveu em seu e-mail, me levam a essa consideração. Esta é a questão: perceber o que Deus quer de mim. Ou ainda, como que eu sei que a voz que eu escuto dentro de mim, é efetivamente a voz de Deus?

 Isso é algo importante, sobretudo quando a decisão “é decisiva”, determinará o “resto de nossos dias”! E é neste momento que descobrimos que em nosso coração existem sentimentos que não foram devidamente analisados e que implicam e comprometem a resposta e a decisão.

 Deus é tremendamente único em seu chamado; a experiência de Deus é profundamente original, não se repete, é própria de cada um de nós. Deus nos chama, e a nossa resposta é pessoal, temos que discernir a voz de Deus que revela sua vontade, vontade que significa nossa realização.

 Discernir a vontade de Deus não é uma mágica, não é um sentimento, é um processo. Supõe esforço, meditação, reflexão, ponderação. Isso porque existem dentro de nós muitas vozes: nossa historia, sentimentos, dificuldades... tudo isso num turbilhão. Ainda assim temos que decidir e responder ao chamado de Deus... Como tratar com essas coisas?

 O fundamental para o discernimento é o amor sincero a Deus, o desejo sincero de fazer sua vontade. Isto é essencial. A partir daí, a tradição da igreja aponta três passos: ouvir, purificar e aconselhar-se

 Ouvir. Como temos dificuldade de discernir as diversas vozes do nosso interior, esse ouvir, é um ouvir “fora de nós” e a primeira voz é a Sagrada Escritura. Outra voz a ouvir é o Magistério da Igreja e os Padres da Igreja. O que nos diz a Sagrada Escritura, o Magistério e os Santos Padres sobre o que desejamos discernir? Esta é uma pergunta fundamental.

 Purificar. É necessário que nós passemos por um processo de purificação dos nossos sentidos, paixões e intenções. A ascese nos ajuda. Precisamos de certa disciplina espiritual: jejum e penitência são medidas favoráveis ao discernir.

 Aconselhar-se. Buscar ajuda e conselho. Alguém de experiência que você tem confiança em expor seus questionamentos e dores, alguém que o ajude a rezar. O “amigo espiritual”. “Para aconselhar, entre o sábio e o santo, escolher o sábio. O sábio pode ensinar e ajudar; ao santo devemos seguir o exemplo” – Sta. Tereza D’Avila.

 Querido amigo, para que o nosso querer seja livre e responsável precisamos discernir, escolher, entre todas as possibilidades e todas as aventuras que nos são mostradas, aquela aventura da fé, aquela que é de fato a nossa resposta ao apelo de Deus, a resposta ao verdadeiro apelo de Deus.

 Sobretudo, “em tempos de tristeza e de inquietação, não abandone nem as obras de oração, nem a penitência a que está habituado. Antes, intensifica-as, e verá com que prontidão o Senhor te sustentará” – Sta. Tereza D’Avila.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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