Reflexões / Matutações

A secularização...

03/05/2017

O papa Bento XVI apontou a secularização como um dos problemas a ser enfrentado pelo Evangelho na sociedade contemporânea. A secularização cria uma nova ética que não considera o sagrado e multiplica as ofertas religiosas, mesmo dentro do cristianismo.

 Fico matutando...

 Sempre existiu certo pluralismo no cristianismo. Hoje, contudo, existe um pluralismo dentro do mundo cristão que é totalmente diferente do pluralismo tradicional de acentuações entre fé e vida cristã ou de espiritualidade.

 Em alguns setores da sociedade encontramos um “cristianismo seletivo”. Muitos cristãos selecionam partes da doutrina ou da moral, aceitando somente alguns aspectos e distanciando-se de outros. É uma espécie de supermercado cristão, onde cada um escolhe o cardápio.

 Em outros lugares existe uma distância frente à moral oficial. Em geral se aceita, e até se deseja, que a Igreja intervenha no mundo da moral social e internacional. O problema se coloca quando toca a moral individual e, mais concretamente, a moral sexual.

 Também se observa hoje o abandono da Missa e dos sacramentos. Há poucos anos atrás se considerava a frequente participação na missa e a prática da confissão e da comunhão, bem como a substancial observação da moral, um critério primário da pertença à igreja. Hoje não é mais assim. As pessoas, mesmo que “não pratiquem”, continuam considerando-se e se professando cristãos. Não se pode dizer que não sejam cristãos.  O problema é até quando eles poderão conservar a fé. Lamentavelmente, para muitos deles é já o primeiro passo decisivo no caminho da descristianização.

 Hoje a religião já não constitui o vínculo social. A religião e os símbolos religiosos já não são o cimento da sociedade, nem a inspiração principal. É a secularização associada à tese do progressivo desaparecimento da religião da sociedade e da vida das pessoas. É a proposta do positivismo, do marxismo, e da teologia da morte de Deus.

 Assim o cristão atual encontra-se numa “esquina”: precisa elaborar sua existência a partir da fé recebida, considerando a própria cultura vital. Mas temos esperança! Olhando a história da Igreja vemos que a verdadeira santidade, aquela que é “capaz de reformar o mundo”, nasceu quando os discípulos de Cristo, pela fé, amaram o mundo com fidelidade radical. Assim estaremos prontos para viver a experiência decisiva do anúncio cristão de um mundo novo, que não é um rompimento que este atual, mas construído a partir dele. Não só pelo senso do dever nascido do batismo, mas, sobretudo, pela convicção gerada pelo amor.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

Deixe seu comentário

Últimas


Conversão - 15/12/2017

O conteúdo do Natal nos Padres da Igreja - 14/12/2017

Perdemos o senso do Natal! - 13/12/2017