Reflexões / Matutações

O “menos” aplicada às “coisas de Deus”

28/04/2017

Tenho me preocupado com a palavra “menos” aplicada às “coisas de Deus”. Um “menos” que impede a generosidade e que emperra as inciativas criativas e ousadas. Um “menos” que escutamos de diversas formas, que vão desde o “não é preciso tudo isso” até “isso é exagero”. Uma palavra que disfarça, muitas vezes, a mediocridade.

 A grande ameaça que nos ronda é a mediocridade. Mediocridade é a lei do “menor esforço”, do desperdício da vida com coisas sem importância, sem relevância, sem planos, sem sonhos, sem riscos, da maneira “mais pequena”, como se diz no interior... Fico admirado com a inércia, tristeza e pouco entusiasmo que, por vezes, existem entre nós!

 A mediocridade não é o fazer pouco, é o fazer menos quando se pode fazer mais, é reduzir nossa participação ao nível daquilo que é “aceitável” pelo mundo, ou seja, que não exija sacrifícios “exagerados”, que não atrapalhe “minha agenda”... Uma vida medíocre se preocupa apenas cumprir as obrigações, arrastando-se e culpando os outros por tudo que causa desconforto.

 Pesquisas recentes mostram que 84% dos trabalhadores consideram que poderiam ser melhores profissionais do que realmente são. 50% admitem que fazem no emprego apenas o mínimo para não ser demitido. Claro, não são todos, não podemos generalizar, mas temos que admitir que o percentual é assustadoramente grande e tem crescido constantemente. O apelo do mundo é para a estagnação e a mediocridade.

 Cristo nos falou sobre o tipo de vida que gostaria que tivéssemos: vida em abundância – Jo 10,10. Vida plena, vida realizada, vida de crescimento, de desenvolvimento, uma vida com propósito definido. Existe saída para a mediocridade: mudar a mentalidade não se deixando moldar pelo mundo e o combate espiritual em vencer a preguiça educando a vontade.

 Estava na estrada... E de repente uma sinalização informa “obras a 500 metros”. Reduzi a velocidade e logo encontrei um homem, no sol, com macacão de cores fortes, boné e agitando “furiosamente” uma bandeira enquanto gesticulava, como que dançando, com um sorriso estampado no rosto sujo de poeira e fuligem da estrada...

 Fiquei curioso... O que tinha de alegre e prazeroso naquilo que ele estava fazendo? Calor, poeira, barulho, sujeira... Não havia motivo para tanto entusiasmo.

 Como logo a frente era parada obrigatória. A fila estava enorme e demoraria um tempo para liberar o lado da pista em que estava; deliguei o carro e fui falar com aquele homem e percebi que não era jovem. Perguntei a razão daquele entusiasmo naquelas condições. Espantado, respondeu-me lá no seu “portuguêis”: “uai! Pruquê é o meu trabaio, intão tenho que fazer bem feito e cum alegria porque sinão ninguém guenta”.

 Voltei para o carro e fiquei matutando...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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