Reflexões / Matutações

A Misericórdia

24/04/2017

O Segundo Domingo da Páscoa foi chamado por São João Paulo II de o domingo da Misericórdia!

 A Igreja nos convidou considerar esta semana como um dia só: ”O dia que o Senhor fez”. Nestes dias a Liturgia celebrou o nascimento da fé pascal. Mediante a narração das aparições do Ressuscitado, vimos renascer nos discípulos de Jesus, desanimados e dispersos, a fé e o amor para com Ele: a ressurreição gerou a fé. Cristo ressuscitado é a razão de ser de nossa existência. Celebrar esse fato é motivo de grande alegria!

 O Evangelho - Jo 20,19 - relata a aparição de Jesus Misericordioso aos seus discípulos no mesmo dia da sua Ressurreição. “Ao anoitecer”, “os discípulos estavam reunidos, com as portas fechadas”, “Jesus entrou e pôs-se no meio deles”. Deu-lhes a Paz e mostrou-lhes “as mãos e o lado” e soprou sobre eles comunicando o Espírito Santo. Tomé “não estava com eles” e não acreditou. Oito dias depois Jesus apareceu novamente e Tomé estava. Jesus lhe disse: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê”!

 A resposta de Tomé é um ato de fé, de adoração e de entrega sem limites: Meu Senhor e meu Deus! A fé do Apóstolo brota da evidência de um encontro, que o levou a adoração e ao retorno ao apostolado. Diz a Tradição que Tomé morreu mártir; consumiu a vida a serviço da fé.

 Tomé é também figura daqueles que creem após um encontro decisivo com o Ressuscitado. “Porventura pensais que foi um simples acaso que aquele discípulo escolhido estivesse ausente, e que depois, ao voltar, ouvisse relatar a aparição e, ao ouvir, duvidasse, e, duvidando, apalpasse, e, apalpando acreditasse? Não foi por acaso, mas por disposição divina que isso aconteceu. A divina clemência agiu de modo admirável quando este discípulo que duvidava tocou as feridas das carnes do seu Mestre, pois assim curava em nós as chagas da incredulidade… Foi assim, duvidando e tocando, que o discípulo se tornou testemunha da verdadeira ressurreição” – São Gregório Magno.

 A fé em Cristo era a força que congregava os cristãos numa comunidade fraterna: “A multidão dos que abraçavam a fé tinha um só coração e uma só alma” - At. 4,32. Era uma fé tão arraigada que os levava a colocar seus bens a serviço dos mais necessitados; consideravam-se verdadeiros irmãos em Cristo. E esta fé é tão escassa hoje! Muitos dizem ser crentes, mas a fé não exerce influência alguma em suas vidas! Um cristianismo assim, não convence nem converte o mundo...

 A Ressurreição do Senhor é um apelo para que manifestemos com a nossa vida que Ele vive. As obras do cristão devem ser fruto e manifestação de sua fé em Cristo, pois é a virtude da fé que dá a verdadeira dimensão dos acontecimentos e nos permite julgar retamente todas as coisas.

 “Meu Senhor e meu Deus”! Esta declaração tem servido de consolo e ânimo para muitos cristãos!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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