Reflexões / Matutações

A Semana Santa

04/04/2017

Matutava sobre a Semana Santa... As leituras bíblicas da Quinta Feira Santa nos mostram Deus de Israel dando instruções a Moisés sobre como comer o cordeiro imolado, com pães ázimos e ervas amargas: “Assim devereis comê-lo: com os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. E comereis às pressas, pois é a Páscoa, isto é, a ‘passagem’ do Senhor”! – Ex 12,11

 Mais tarde, à meia-noite, o anjo do Senhor feriu de morte todos os primogênitos egípcios, desde os primogênitos dos animais até os da casa do Faraó. Este então, temendo a Ira Divina, aceitou libertar o povo de Israel, o que levou os hebreus ao Êxodo, à Aliança, à terra prometida e à formação de “um povo”.

 Nada teria acontecido se não fosse a passagem do Senhor. Foi por esta passagem que o povo eleito conheceu a liberdade e também conheceu seu Deus. No duro aprendizado do deserto, este mesmo povo aprenderá que não se deve ter saudades da falsa abundância da escravidão, das cebola e pepinos. Pelo contrário, há que alimentar-se do maná, dado por Deus segundo a necessidade de cada dia, enquanto se caminha rumo à verdadeira liberdade e plenitude.

 Os primeiros cristãos viram no mistério pascal de Jesus Cristo um novo Êxodo e nova Páscoa. Na pessoa de Jesus inocente e condenado pelos poderes deste mundo enxergaram a salvação, a passagem do Senhor que, enfim, manifestava o seu Dia. Era cumprido o Tempo e a salvação se fazia presente sobre a história. O Senhor voltaria novamente em plena glória e enquanto tal havia que esperá-lo vivendo o amor até as últimas consequências.

 Com a Ressurreição do Crucificado, Deus, seu Pai, dissera sua última palavra sobre aquela vida feita só de amor e humilde serviço. A morte não tinha mais poder sobre ele. E a partir d’Ele, não teria mais poder sobre nenhum homem e mulher vindos a este mundo.

 A luz trazida pela passagem de Jesus da morte para a vida pelo poder de Deus brilha através e apesar das trevas que ainda continuam seu trabalho predatório sobre a vida e a humanidade. É preciso vigiar. O Ressuscitado ainda está crucificado toda vez que a vida é ferida pelo desamor e a injustiça. A vitória é certa, mas por enquanto é preciso ter os rins cingidos, as sandálias aos pés e o cajado à mão. Deixar-se possuir pela urgência e pela pressa.

 Urgência de fazer avançar o Reino de Deus; pressa de fazer acontecer o amor. O Senhor passou e passa. Passou em meio ao povo cativo levando-o do cativeiro à libertação. Passa em nossas vidas, levando-nos da noite escura do pecado à alegria do amor!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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