Reflexões / Matutações

Quaresma... Paixão... Cruz...

29/03/2017

Quaresma... Paixão... Cruz... Na Sexta-feira Santa celebramos de modo especial o “Mistério da Cruz”, a plena manifestação da Misericórdia divina. Deus nos perdoa, pelos méritos de Seu Filho, cujo sacrifício redentor lavou a mancha do pecado, contraída por Adão. "Deus não poupou seu Filho, mas por todos nós O entregou" - Rm 8,32. O Filho adere, livremente, ao plano do Pai: "O Filho de Deus me amou e se entregou por mim" - Gl 2,20, num supremo gesto de misericórdia.

 "Ele se fez obediente até à morte e morte de cruz" - Fl 2,8, assumindo a dor e o vexame de ser despido e exposto à zombaria pública. Aquela seria a sua “Hora”, o seu verdadeiro batismo, esperava ansioso que se realizasse - Lc 12,50. Essa “Hora” tem seu ápice na Cruz: "Tudo está consumado"- Jo 19,30; "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito" - Lc 23,46.

 "Quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim" - Jo 12,32. Expressão que resume a obra redentora de Cristo, na qual se fundamenta a missão de cada um de seus seguidores. A Paixão de Cristo é, evidentemente, completa em si, mas cada um de nós precisa aceitar sua própria participação nela: "O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja" - Cl 1,24.

 Olhando nossa experiência, quando é que isto acontece? A vida está cheia de cruzes, dores doenças e a própria morte; pecados e falhas cometidas; humilhações e injustiças recebidas. Isto tudo faz parte do Mistério da Cruz, até mesmo o incompreensível sofrimento dos inocentes. Cada um, seguindo a morte do próprio Cristo, está completando, da sua parte, o quinhão que lhe cabe na Paixão de Nosso Senhor, na solidariedade que nos une a Ele e aos demais.

 Mesmo nas situações mais gratificantes, como o convívio fraterno e a missão, não estamos imunes aos sofrimentos. Entretanto, em nenhum momento pode faltar a esperança, pois, "aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem. Todas as tribos da terra baterão no peito e verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu cercado de glória e de majestade" - Mt 24,30. "Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição" - Ap 21,3-4.

 Não se pode querer afastar a Cruz do nosso cotidiano, ou subtraí-la à nossa realidade. Que o nosso sinal seja sempre o Sinal da Cruz!

 Na infância aprendemos traçar a cruz sobre nós como sinal de bênção e consagração, como indicativo do caminho a seguir. Que nesta Quaresma, caminho penitencial e, portanto caminho da cruz, possamos redescobrir seu sentido.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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