Reflexões / Matutações

O sentido da Quaresma está se perdendo?

20/03/2017

Participei da missa domingo, dia do Senhor, Evangelho da Samaritana, a mulher que tinha sede, sede de vida eterna! Passei o resto do dia inquieto e com a “vó atrás do toco”... Fiquei matutando...

 Tenho receio que o sentido da Quaresma esteja se perdendo. Não posso deixar de reparar que nos últimos tempos, outras preocupações tem sido o “centro” da Quaresma. Temas importantes para a sociedade têm sido propostos para a reflexão quaresmal, mas, creio que se não nos convertermos a Jesus e a seu Evangelho, poucos resultados teremos em qualquer programa proposto. Penso que no âmago dos “problemas que afligem a humanidade hoje está uma crise de fé”! – Bento XVI. Portanto o que devemos propor é a fé! A Quaresma é o tempo de refletir sobre a fé, cujo núcleo será celebrado ao final dos 40 dias: paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo!

 A Quaresma é um tempo de conversão ao Evangelho: voltar-se para Cristo, razão e centro de nossa fé e a partir d’Ele iluminar o sentido de tudo. Inclusive como tratamos a natureza, a água, os direitos humanos, o meio ambiente... A Quaresma envia-nos ao centro da mensagem evangelizadora: “Convertei-vos, pois o Reino dos Céus está próximo” – Mt 4,17.

 Converter-nos significa buscar “em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça” e, assim, resto virá por acréscimo! – Mt 6,33. O Reino de Deus ultrapassa a visão sociológica – ideológica do Reino histórico, que se resume no bem estar e na justiça social da ausência de diferenças econômicas e a eliminação das mazelas sociais. O Reino de Deus é a soberania de Deus, sua realeza (governo) sobre o mundo. “É ter o Evangelho como fundamento; é estabelecer Cristo como critério” - Bento XVI.

 A Quaresma é um tempo de penitência: “esses tempos são particularmente apropriados aos exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como o jejum e à esmola, à partilha fraterna” - CIC 1.438. É um tempo de renascimento espiritual e de renovação na fé, no qual se pede maior interesse pelas coisas divinas, à Santa Missa, maior correção nas ações e a mortificação das próprias paixões.

 A penitência não pode ser confundida com um desejo mórbido de infligir sofrimento a si mesmo. A penitência é a disposição moral que inclina o pecador a destruir e reparar os seus próprios pecados por constituírem ofensas a Deus. É uma dor espiritual, interior: é o sofrimento por haver pecado. É um querer não ter pecado, é um querer não ter querido o mal que se quis no passado.

 A Quaresma é o caminho para a Páscoa. O mesmo caminho que Jesus percorreu até o Calvário, a começar pelas tentações vencidas no deserto. Somos chamados na Quaresma a superar a tentação de abandonar o caminho do serviço humilde e reafirmar o projeto divino sobre nossa vida: a Quaresma de Jesus é modelo da nossa Quaresma.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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