Reflexões / Matutações

Somos chamados ao “apostolado de Pentecostes”

17/03/2017

Estava preparando um ensino e retomei um texto do Documento de Aparecida – maio 2007 – que me impressiona e incomoda. Impressiona pela atualidade, clareza e urgência e incomoda porque nos desinstala e provoca.

 Não podemos deixar de aproveitar esta hora de graça. Necessitamos de um novo Pentecostes! Necessitamos sair ao encontro das pessoas, das famílias, das comunidades e dos povos para lhes comunicar e compartilhar o dom do encontro com Cristo, que tem preenchido nossas vidas de “sentido”, de verdade e de amor, de alegria e de esperança! Não podemos ficar tranquilos em espera passiva em nossos templos, mas é imperativo ir em todas as direções para proclamar que o mal e a morte não tem a última palavra, que o amor é mais forte, que fomos libertos e salvos pela vitória pascal do Senhor da história, que Ele nos convoca na Igreja, e quer multiplicar o número de seus discípulos na construção de seu Reino em nosso Continente! – D.Ap. 548.

 Fico matutando: não seria por isso que o Senhor da Igreja suscitou em seu seio um movimento que tem como identidade e missão promover a “experiência de Pentecostes” como uma necessidade e urgência para esses tempos de descristianização, em que o secularismo avança e a humanidade perde seu sentido último. Somos chamados ao “apostolado de Pentecostes” – D. Alberto Taveira.

 No dia de Pentecostes o Espírito Santo desceu com poder sobre os Apóstolos; teve assim início a missão da Igreja no mundo. O próprio Jesus tinha preparado os Onze para esta missão aparecendo-lhes várias vezes depois da sua ressurreição – At 1,3. Antes da ascensão ao Céu, ordenou que "não se afastassem de Jerusalém, mas que aguardassem que se cumprisse a promessa do Pai" – At 1,4; pediu que permanecessem juntos para receber o Espírito Santo. E eles reuniram-se em oração com Maria no Cenáculo à espera do acontecimento prometido – At 1,14.

 Permanecer juntos foi a condição exigida por Jesus para receber o Espírito Santo; pressuposto da unidade foi a oração. Aqui encontramos um ensino formidável para nós da Igreja atual!

 Algumas vezes pensamos que a missão depende quase que exclusivamente de um projeto elaborado com todos os critérios sociais, a partir de uma elaborada análise de conjuntura. Sem dúvida que essas coisas ajudam e não podemos dispensá-las. Mas antes de qualquer resposta nossa é necessária a iniciativa do Senhor: é o seu Espírito o verdadeiro protagonista da Igreja.

 Sem Ele, o Espírito Santo, “a evangelização é mera propaganda; a Igreja um instituição social; os sacramentos um teatro” – Pe. Raniero Cantalamessa.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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