Reflexões / Matutações

Comunidades Vivas

15/03/2017

Encontrei num texto de Bento XVI a afirmação: “a Igreja precisa, hoje, mais ainda do que de novas instituições ou novos programas, é de comunidades vivas” – Sal da Terra.

 Fiquei matutando... Foi assim, aliás, que o cristianismo se desenvolveu, a partir de comunidades cristãs, das quais os Atos dos Apóstolos dá testemunho - At 2,44.

 A Igreja primitiva cresceu como um conjunto de pequenas comunidades cristãs, dispersas no mundo romano, e desempenhando aí o papel definido pelo Senhor, como sal da terra e fermento na massa. Estamos descobrindo gradativamente que estamos em diáspora, e isto é um forte apelo para voltarmos a nossas origens. “O futuro da Igreja está condicionado pela força e qualidade de sua vida comunitária. A Igreja será aquilo que forem as comunidades cristãs nas quais se edifica o Corpo místico de Cristo” – Bento XVI.

 A necessidade de certa vida comunitária para os cristãos impunha-se à Igreja nascente, a fim de sustentá-los no ambiente pagão de seu tempo. Hoje, no mundo em que vivemos a mesma necessidade se faz sentir. Pode-se viver "comunitariamente" em graus diferentes de partilha de vida, mas não se pode negar a força, ao mesmo tempo de preservação cristã e de penetração apostólica, de uma vida comunitária.

 Viver a vida cristã é essencialmente deixar que Cristo se torne a vida comum dos cristãos. É permitir que a Igreja seja edificada em nós, pelo Espírito Santo, na diversidade e convergência de seus dons complementares. Os carismas só podem ser compreendidos no contexto comunitário, já que são manifestações do Espírito em vista do bem comum, sendo a primeira garantia de sua autenticidade o controle mútuo, a crítica interna, o discernimento em comum que enriquece a comunidade e harmoniza os contrários.

 O futuro da Igreja dependerá, em grande parte, do testemunho dessas comunidades cristãs que nascem de certo modo por toda parte como centros de esperança. Cardeal Suenens em seu livro “O Espírito Santo nossa esperança”, consagrou um capítulo sobre o poderoso testemunho profético das comunidades cristãs.

 Steve Clark, um dos pioneiros da Renovação Carismática no mundo escreveu: "Um cristão, para viver uma verdadeira vida cristã, deve encontrar-se num ambiente no qual o cristianismo seja abertamente aceito, onde se fale dele, onde seja vivido. Ora, os católicos cada vez encontram menos semelhante ambiente. Quando a sociedade como tal não mais acolhe o cristianismo, torna-se necessário formar comunidades no interior da sociedade, a fim de tornar possível a vida cristã" - Where are we headed?,  Notre Drame, 1973.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

Deixe seu comentário

Últimas


O farisaísmo é “um caminho segundo a carne” - 18/10/2017

O fermento dos fariseus - 17/10/2017

Os tempos atuais não são fáceis.. - 16/10/2017