Reflexões / Matutações

O Temor de Deus

13/03/2017

"Em face de tantas tentações e provas que temos de padecer, o Senhor nos concede dois remédios: amor e temor. O amor nos fará apressar o passo; o temor nos fará olhar bem onde pomos os pés para não cair" – Santa Teresa de Jesus.

 O Temor de Deus cria no cristão o horror ao pecado e, se se por desventura vier a cometê-lo, gera a contrição necessária ao arrependimento. Por ele a alma intui a transcendência de Deus e a distância e o abismo que o pecado cava entre ela e seu Criador... O dom do temor leva o cristão a detestar mesmo o pecado chamado de “leve” e a reagir com energia contra a tibieza, o desleixo e a preguiça. “É o dom que nos faz adorar a Deus, e ter receio de ofender a sua Divina Majestade, e nos afasta do mal, incitando-nos ao bem" - São Pio X.

 O dom do temor é à base da humildade, pois dá à alma a consciência da sua fragilidade e da necessidade de manter a vontade em fiel e amorosa submissão à vontade de Deus; leva-nos a não buscar as honras e sim a glória de Deus. A soberba é fruto do desconhecimento do temor de Deus... “O santo temor de Deus leva-nos a desconfiar prudentemente de nós mesmos, a fugir das ocasiões de pecado; e inclina-nos a sermos mais dedicados a Deus e a tudo que a Ele se refere” – S. Tomás de Aquino.

 Abre-nos os olhos à infinita grandeza e bondade de Deus, de tal modo que vemos com uma luz poderosa que, "na terra só há um mal que devemos temer e, com a graça divina, evitar: o pecado" – S. Josemaria Escrivá.

 Quando o obstruímos, a vontade de realizar a vontade de Deus começa a arrefecer, se instala a tibieza, a consciência se deteriora pouco a pouco e a alma se torna cega e endurecida, podendo perder a sensibilidade moral em relação ao pecado. Então, corremos o risco de os pecados veniais (leves) nos deixarem cada vez mais indiferentes e sermos arrastados a cair no pecado mortal com facilidade. O perigo é adquirir aos poucos uma insensibilidade de consciência cada vez maior a ponto de perder a consciência moral totalmente. Este estado lamentável começa por pequenas concessões habituais aos pecados leves, que vão abrindo "rachaduras" muito perigosas na alma.

 "A vontade tíbia acumula na alma o egoísmo e a soberba... Surge, então, a ânsia de compensações mundanas, a irritabilidade ante a menor exigência ou sacrifício, as queixas por motivos banais, as conversas frívolas ou centradas em nós mesmos... E aparecem as faltas de mortificação e sobriedade, os sentidos são despertados por assaltos violentos, esfria a caridade e se perde a vibração apostólica para falar com parresia aos outros de Deus". - Álvaro del Portillo.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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