Reflexões / Matutações

A vida espiritual e os dons do Espírito

24/02/2017

50 anos da RCC! Relendo e lembrando a história da “experiência de Pentecostes” na atualidade, impressiona a insistência da beata Elena Guerra com o Papa Leão XIII a respeito do Espírito Santo que, entre outras coisas, resultou na Encíclica “Divinum illud múnus”, em maio de 1897.

 Um parágrafo da Encíclica, desta vez, despertou minha atenção: "o justo que vive da vida da graça e que age mediante as virtudes tem absoluta necessidade dos sete dons do Espírito Santo. Mediante esses dons, o espírito do homem fica elevado e apto para obedecer com mais facilidade e prontidão às inspirações e impulsos do Espírito Santo. Igualmente esses dons são de tamanha eficácia, que conduzem o homem ao mais alto grau de santidade. Dado que esses dons são tão excelsos e manifestam tão claramente a bondade do Espírito Santo para com as nossas almas, eles nos obrigam a manifestar (ao Espírito Santo) o maior esforço de piedade e submissão, ou seja, invocá-Lo, e corresponder-Lhe com docilidade”. – Divinum illud múnus.

 Fiquei matutando sobre a vida espiritual e os dons do Espírito:

 a) O cristão só avança rumo à santidade quando se vai tornando cada vez mais dócil ao Espírito Santo. Os dons do Espírito Santo, os “sete dons”, "dispõem o homem a obedecer com prontidão ao Espírito Santo, como as velas dispõem o navio a seguir o impulso dos ventos favoráveis. Os santos são, neste sentido, como grandes veleiros, cujas velas desfraldadas recebem docilmente o impulso dos ventos” – Garrigou-Lagrande. Sabemos que “o vento sopra onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim é também todo aquele que nasceu do Espírito” – Jo 3,8.

 b) Progredimos na vida de santidade quando somos dóceis ao Espírito Santo que age em nós por seus dons: sabedoria, entendimento (ou inteligência); ciência, fortaleza, conselho, temor de Deus e piedade: Nosso esforço deve ser no sentido de cooperar, ser dócil, aos dons do Espírito que agem em nós. Como no barco, os remos ajudam na medida em que os remadores remam na direção dos ventos que enchem as velas. Remar no sentido contrário aos ventos é esforço inútil.

 c) Existem aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito e que, por isso mesmo, avançam na santidade. Existem também aqueles que são indóceis às inspirações do Espírito Santo e obstruem a ação dos seus dons, esses vão caindo na tibieza, na "mediocridade espiritual", que é o avesso da santidade. Ora, o cristão que não busca a santidade frustra a sua vocação e perde o sentido de sua vida.

 “Todos aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” – Rm 8,14.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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