Reflexões / Matutações

"Antigos ensinamentos"

14/02/2017

Nas comunidades do Novo Testamento, a ação do Espírito Santo foi de fato uma experiência antes de se tornar objeto de doutrina – Cardeal Suenens. À luz da experiência se desenvolveu a doutrina. A experiência de receber o Espírito Santo geralmente não passava despercebida nas pessoas ao contrário, era percebido e experimentado em si mesmo e nas suas manifestações externas de maneira mais ou menos imediata: "Aquele que vos confere o Espírito e opera milagres entre vós, fá-lo pela vossa prática da lei ou pela vossa obediência à fé?" - Gl 3,5.

 Com o avanço da humanidade e, sobretudo, do racionalismo humanista, a experiência religiosa passou por um tempo de descrédito, que atingiu também a religião cristã. A experiência de/da fé passa a ser vista com desconfiança, como um intimismo perigoso. Por causa da atenção que a Renovação Carismática dá à experiência da fé, ficou a impressão de que ela (Renovação) reduzia toda vida cristã se reduz ao nível experiencial. “Nesta perspectiva (equivocada), o crescimento em Cristo seria como uma sucessão de experiências espirituais como uma tentativa desesperada de manter as pessoas num contínuo estado de experiências de impacto”. – Doc. Malines 1.

 O progresso espiritual não se identifica, de forma alguma, com uma sucessão de experiências cruciais e emocionais. Aqui, como em qualquer expressão autêntica do Evangelho, infelizmente, há lugar para erros e acertos. Além dos elementos de experiência, existem muitos elementos objetivos, como: mudança de vida por um encontro pessoal com Jesus Cristo, oração pessoal e comunitária, maior consciência da celebração litúrgica, a leitura constante da Sagrada Escritura, o empenho pastoral. A experiência não deve ser considerada nociva à fé. O que é dado à experiência, não é tirado da fé.

 A formação e obediência ao Santo Magistério são imperativas para a vida cristã autêntica. Por outro lado, uma religião submissa ao “dogmatismo” que não dá espaço a uma legítima experiência de fé pode produzir um formalismo sem vida. Fundar toda a vida cristã no subjetivismo pode produzir distorções, por outro lado reduzir o cristianismo a um sistema de dogmas e ritos a serem cumpridos legalmente, produz uma religião sem vida, sem mistério, limitada a pratica “da lei”.

 "A experiência do Espírito Santo era a marca de um cristão. Por ela os cristãos se definiam pelo menos em parte em relação aos não-cristãos. Eles se consideravam representantes não de uma nova doutrina, mas sim de uma nova realidade: o Espírito Santo”. – Doc. Malines 1.

 Na comunidade primitiva, o Espírito era um fato vivo de sua experiência, que não podiam negar sem negar que eram cristãos. O Espírito se derramava sobre eles e a experiência – tanto pessoal como comunitária – constituía uma nova realidade. Deve-se, pois, admitir que a experiência religiosa seja inerente ao testemunho do Novo Testamento e omitindo-se essa dimensão na vida da Igreja, nós a empobreceríamos ao extremo.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

Deixe seu comentário

Últimas


O conteúdo do Natal nos Padres da Igreja - 14/12/2017

Perdemos o senso do Natal! - 13/12/2017

Dia de Nossa Senhora de Guadalupe - 12/12/2017