Reflexões / Matutações

“Santos ou nada”

10/02/2017

“Como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo vosso proceder” – 1Pd 1,15. A santidade é a nossa vocação. A frase pregada insistentemente pelo profeta “padre” mons. Jonas, “Santos ou nada” é uma motivação para a vida cristã, um ideal que deve ser perseguido...

Fico matutando... Muitos ficam desanimados porque entendem mal a natureza da santidade. Pensam que a santidade é resultado do esforço pessoal somente, ou a confundem com perfeccionismo rígido que acaba gerando um farisaísmo legalista e sem caridade... fruto do cumprimento de leis, obrigações impostas, comportamento moralista... peso insuportável...

A santidade é, sobretudo, um dom imerecido, é graça. "O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” - Rm 5,5. Somos convidados a ser santos como “Aquele que nos chamou”, porque trazemos dentro de nós a vida do Pai dada por intermédio de Cristo no Espírito; dada sem nenhum custo para nós. Não nos tornamos santos, devemos “permanecer santos”, vivendo na obediência de amor e liberdade! “Começamos no topo da escada, não na parte inferior”! – padre Raniero Cantalamessa.

Deus é santo de modo absoluto em virtude de sua natureza divina. Dizemos: “Santo, Santo, Santo, é o Senhor”! Já a santidade a que somos chamados é pela comunhão na santidade divina, não em virtude nossa identidade ou esforço, mas pela participação, em Cristo Jesus, na santidade de Deus.

O que Deus é por natureza, nós somos por adoção, por participação. No batismo o Espírito nos torna filhos e filhas de Deus, para viver a mesma vida divina. Uma só santidade em Deus e em nós. Esse é o propósito da Encarnação: "O Filho de Deus se fez Filho do Homem para que os filhos dos homens, os filhos de Adão, pudessem ser filhos de Deus” – Santo Atanásio. Por sermos filhos de Deus, por Cristo, participamos de sua santidade.

O Concílio insiste: "todos os fiéis cristãos de qualquer estado ou ordem são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade” - LG 40. O laicato e o clero, sem distinção, são chamados à santidade. E é a mesma santidade: todos os que, movidos pelo Espírito de Deus, obedecem à voz do Pai e adoram a Deus Pai em espírito e verdade, vivenciam uma única santidade – cf. LG.

Ser santo é deixar resplandecer essa de vida divina dada sem nenhum custo para nós. Ser santo é responder com alegria e liberdade a iniciativa do Pai. Santos são os que guardam e aperfeiçoam em sua vida a santidade que receberam de Deus.

Começamos no topo da escada, não parte inferior!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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