Reflexões / Matutações

fazer da “Igreja uma ONG”

07/02/2017

Fico matutando se, diante das calamidades sociais-politico-econômicas que assistimos, não somos tentados reduzir a problemática humana à “necessidade do pão”... A radicalização “do social somente e exclusivamente” põe em risco a própria especificidade do cristianismo e fazer da “Igreja uma ONG” – Papa Francisco.

Nossa fé em Jesus e nossa esperança de salvação devem expressar-se concretamente na busca de soluções dos problemas sociais e mudança das realidades que diminuem o ser humano. Não obstante, é preciso enfatizar que, para o cristão, "as metas econômicas, políticas e culturais estão subordinadas a um fim mais alto: a manifestação da presença salvadora de Deus na ordem social" - Bento XVI.

Só esta perspectiva leva à mudança, porque é a única que toca o coração do problema, a única que descobre que as necessidades mais fundamentais do homem não são as de mais comida, mais dinheiro e mais poder, senão que esta humanidade insegura, solitária, enferma, inclinada ao mal, tem fome e sede de verdade e de amor.

É preciso aprender e implementar novas formas de nos relacionar, baseadas na justiça e no amor e isso só será possível a partir de um encontro pessoal e decisivo com Jesus Cristo. A pregação do Evangelho para a conversão do coração do homem torna-se assim urgente e indispensável para uma nova ordem social.

Temos que oferecer ao homem, ao mesmo tempo, os meios de viver e as razões para viver. Um dever não elimina o outro e nem se prioriza um sobre o outro. “Alimentar os homens não implica em salvá-los, embora minha salvação me imponha alimentá-los” – Tereza de Calcutá.

A oração ao Espírito Santo diz: “... e renovareis a face da Terra”! As palavras “renovareis a face da Terra” devem ser consideradas ao contemplar a atualidade: violência, miséria, exploração do ser humano, descaso com a Natureza... Não podemos nos omitir. Não basta cumprir os mandamentos, como o jovem rico - Mc 10, 17, e ter uma consciência tranquila no aspecto legalista, é necessário ir “além da lei” para seguir Jesus.

Contemplemos Jesus Cristo na cruz. A fé nos leva a acolher integralmente esse mistério: a vinculação do serviço aos irmãos e a contemplação de Deus. Não podemos abandonar o mundo, no sentido de não se importar com o que acontece nele, em nome de Deus, também não podemos abandonar Deus em nome das necessidades e urgências sociais.

O Espírito Santo, dado no Batismo, deve ser o critério a iluminar toda ação cristã, seja ela política, educacional, promocional ou de desenvolvimento, em busca da libertação do mundo.

Rezemos audaciosamente “envia Teu Espírito e tudo será criado e renovareis a face da Terra”!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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