Reflexões / Matutações

Matutando “sobre a vida”

02/02/2017

Estava rezando Marcos 4,35... E matutando “sobre a vida” percebi que um dia embarcamos na aventura da fé, rumo a horizontes humanamente desconhecidos e enfrentando os riscos próprios de uma travessia. Embarcamos... Estamos “embarcados”... Integrando numa comunidade, em família, encarando compromissos na sociedade...

 O embarque provavelmente foi algo marcado por decisões parciais, graduais, de compromisso crescente, em momentos que foram chaves em nossa vida. Talvez ainda existam opções fundamentais pendentes... Tem gente que embarca num impulso, de “supetão”, como Paulo em Damasco.

 Passar "a outra margem", isto é, a margem do Senhor, com seu enfoque, sua maneira de ver, supõe uma mudança total de perspectivas. Significa sair das seguranças que alguém constrói "nesta margem", superar os "critérios puramente humanos" e passar a viver da fé e de um amor que supere o mesquinho "para si mesmo" e comece a ser, de alguma maneira, "para aquele que morreu e ressuscitou" por todos.

 "A outra margem" não é só a vida eterna em sua realização definitiva; é também a vida presente vivida em função de eternidade, ou seja, segundo o modelo de homem destinado a uma vida com Deus. Esse “modo de viver” embarcado é "boa-noticia" para o mundo e testemunho de fé para os homens: "a fé é um potencial dignificador do homem já nesta vida".

 A fé, a esperança e a caridade são realidades não somente credoras de uma vida no mais além, mas convocam também a realizar uma história humana mais digna. A resposta a esta convocação já é passar a outra margem.

 Somos chamados a ser protagonistas da história mediante uma caridade viva, realizando pela solidariedade e pelo amor de uma "história santa", de um reino "já inaugurado". A aventura da fé não se vive na calmaria de um lago. É preciso cruzar o mar do mundo na barca da vida, que não é uma barca qualquer, mas uma barca com Jesus.

 O mar, sede misteriosa das forças perversas e ameaçadoras, impossível de domar quando se desencadeia a tempestade. Cada um sabe de suas tormentas exteriores e interiores. Cada um sabe das ameaças para a estabilidade de sua fé ou a autenticidade do seu amor. Cada um conhece as forças perversas que perturbam o cumprimento de seus compromissos, os anulam ou enfraquecem.

 Há uma certeza para quem embarca: Jesus esta na barca desde o momento em que subimos nela, embora, muitas vezes, esteja em silêncio, como que dormindo. Crer é ligar-se a um Deus muitas vezes silencioso, aparentemente ausente, com o qual, porém, se vive em comunhão.

 Crer, em algumas ocasiões, é sentir-se “perdido na tormenta”, mas com a convicção última de que o Senhor não nos abandona na viagem. Crer é lutar na provação mais extrema, com a certeza de que Jesus ressuscitou, saiu vitorioso da prova.

 

Quem é esse que até os ventos obedecem?...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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