Reflexões / Matutações

Como se está mal longe de Deus!

01/02/2017

Li um “causo” que me fez ficar matutando... Um casal estava numa audiência com S. João Paulo II em Roma. O Papa passou e a mulher gritou: “Santo Padre, diga alguma coisa o meu marido que está longe de Deus!”. João Paulo II se deteve, voltou-se para o casal, pôs a mão no ombro do esposo daquela mulher e disse-lhe: “como se está mal longe de Deus!” O homem foi “atingido” por essas palavras e converteu-se!

 Como se está mal longe de Deus! A vida não tem sentido real se não nos encontramos com Deus. Dizer isto hoje, neste mundo secularizado, pode causar espanto, mas é verdade. O ser humano foi criado por Deus, sua vida esta voltada para Ele e só n’Ele encontra sentido. Toda pessoa leva em seu coração um desejo de felicidade que não pode ser satisfeito a não ser na união com seu Criador e Redentor.

 No Antigo Testamento o Povo da Aliança, é também o Povo da conversão. É um povo que volta a Deus que, por sua vez, acolhe o povo arrependido. No Novo Testamento, conversão e Reino são realidades intimamente relacionadas – Mt 4,17.

 A noção bíblica de conversão inclui várias coisas “juntas e misturadas”: retorno, arrependimento, mudança de rumo, mudança de mentalidade. Todos esses termos chamam à volta, à fidelidade e às exigências da própria pertença a Deus. Uma coisa é certa: conversão, fé e arrependimento são inseparáveis. A verdadeira conversão nasce da dor verdadeira pelo pecado cometido e faz surgir uma nova conduta que se manifesta numa vida voltada para Deus – 2Cor 5,17.

 Infelizmente nós, cristãos, pecamos! E o Senhor nos exorta à conversão, ao arrependimento e a prática das obras iniciais queridas por Ele - Ap 2,5. A conversão é, em primeiro lugar, obra de Deus; é experiência a ser vivenciada; é resposta afirmativa ao Evangelho e disponibilidade do homem para a união com Cristo.

 A vida cristã é uma conversão continuada. Para que alguém se converta é preciso a ação de Deus e também a adesão da vontade humana. O cristão, chamado à santidade, busca a plenitude de vida, a santificação crescente, numa “docilidade ao Espírito que guia no caminho das bem-aventuranças”.

 Como se está mal longe de Deus! Isto me fez lembrar a história do “Joãozinho feliz” que Bento XVI narra em sua “Introdução ao Cristianismo”. Joãozinho feliz, “como ele achasse por demais pesada e incômoda a barra de ouro que ganhara, trocou-a primeiro por um cavalo, depois trocou o cavalo por uma vaca, a vaca por um ganso e o ganso por uma pedra de amolar e mesmo esta ele acabou lançando na água, pois não se dava conta do prejuízo, pelo contrário: achava que tinha ganho, finalmente, o dom precioso da liberdade completa”.

 Quantas pessoas trocam a barra de ouro do encontro com Deus e da vida nova em Cristo por uma suposta liberdade mal entendida!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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