Reflexões / Matutações

Quem substituirá o ministro Teori Zavascki?

30/01/2017

Quem substituirá o ministro Teori Zavascki? É a pergunta que se repete nos meios de comunicação, nas “rodas de prosa”, nas cabeças dos militantes e interessados em política... Quem? Lembro o bordão do Chapolim Colorado: “e agora quem poderá nos salvar”? Especulações de todo tipo, esperanças para todos “gostos”... De certa forma estamos esperando um “salvador”, ou, pelo menos, “um herói”, “alguém” que justifique nossas esperanças de que tudo isso não “termine em pizza”, uma enorme e indecente pizza.

 Indignado e matutando sobre a situação que nos encontramos, lembrei-me de uma frase de Bento XVI: “por trás de toda decisão que afeta a sociedade, a economia, a cultura, a educação, está alguém que decide a partir de suas convicções, princípios e valores” – Sal da Terra. Eu acrescentaria, considerando o Brasil de hoje: “e de seus interesses”.

 Mas a pergunta persiste; quem? O Falabella disse numa entrevista que era preciso “chamar o mocinho”, pois o Brasil está carente de líderes, imaginando que estamos vivendo um verdadeiro faroeste, terra de ninguém, onde o pistoleiro mais rápido tem melhores chances. Diria que estamos carentes não só de líderes, mas também de homens que queriam assumir a necessária responsabilidade de servir o povo e não se servir do povo. Vivemos uma crise moral e de valores... O fato é que a morte do ministro Zavascki trouxe a tona o vazio, ou a indigência, de nosso sistema político-jurídico.

 Quem? Nas mãos de quem serão depositadas as esperanças de “passar o Brasil a limpo”? Não que a Operação Lava a Jato vá resolver todas as incoerências e injustiças das quais o Brasil padece. Longe disso, nossos problemas são estruturais e, sobretudo, culturais, de mentalidade. A corrupção está na “nota de consumo a mais”, oferecida nos postos e restaurantes de beira de estrada até na sonegação de impostos. A mentalidade de “levar vantagem” prolifera em todo lugar, lembrando que “levar vantagem” implica em prejudicar alguém ou alguma instituição ou programa.

 A desculpa de que fomos colonizados por “degradados” e “pela burguesia falida” de Portugal, não procede, pois a Austrália era colônia penal da Grã-Bretanha. Culpar o Império é desconhecer que a República só mudou o regime político, mantendo a mesma estrutura social de benefícios e vantagens de uma elite, que se vangloria de “levar vantagens”. Responsabilizar somente a escravidão por nosso atraso social é esquecer que tivemos tempo suficiente para corrigir as terríveis distorções geradas por ela e não o fizemos.

 Não existe empenho em fazer mudanças, em avançar na educação, na justiça social, na formação da cidadania e consciência moral, pois isso implica a perda “das vantagens”, coisa que “os chegaram lá” não “abrem mão”. Chega a ser “pornográfico” as fotografias de políticos e empresários em Paris com guardanapos na cabeça e as filas nos hospitais...

 Volto a Bento XVI: “por trás de toda decisão que afeta a sociedade... alguém que decide a partir de suas convicções, princípios e valores”. Permanece a pergunta: quem?

 Imagino um Juiz, aquele Juiz com o qual nos encontraremos ao final de tudo. Sem desejos de vingança, imagino esse Juiz assumindo o lugar do ministro Zavascki...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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