Reflexões / Matutações

Sobre a Comunidade cristã

24/01/2017

Estava matutando sobre a Comunidade cristã... Observando a História da Igreja, podemos perceber que no início do cristianismo, o cristão era definido como aquele que havia se convertido ao Senhor Jesus cristo, recebido o Espírito Santo e vivia em comunidade. Não havia a noção de uma prática religiosa que dispensasse o convívio comunitário e fraterno.

 É necessário também, que se tenha clareza quanto à experiência comunitária dos primeiros cristãos e a realidade depois de 20 séculos da experiência cristã. Os contextos socioculturais são evidentemente muito diferentes, mas, sob pena de faltar a fidelidade ao Evangelho e romper com a Tradição, é necessário que se busque uma renovação, uma retomada dos valores iniciais desta convivência comunitária. O contraste entre as chamadas “comunidades primitivas” e as “comunidades cristãs” de hoje é um profundo exame de consciência.

 Com a crescente secularização da sociedade, hoje, a palavra "Igreja", considerada superficialmente, lembra a imagem de uma sociedade altamente organizada, que abraça todos os continentes e que governa uma significativa parte da humanidade por meio de leis universais, promulgadas pelo Papa. É a imagem de uma "instituição" que situamos ao lado de outras "instituições" e da qual falamos facilmente em termos de política ou de sociologia. Esta visão afasta a imagem verdadeira e a deforma em vez de aproximá-la.

 A inserção humana, no tempo e no espaço, faz da Igreja também uma "instituição e sociedade". Mas ela é também, em sua verdade profunda, uma comunidade fraterna de pessoas que reconhecem Jesus de Nazaré, morto e ressuscitado, como o Salvador dos homens e do mundo, como o Senhor e Filho único de Deus e que querem, a partir dele, traduzir juntos, entre si e com todos os homens, as exigências de sua fé.

 A Igreja não tem existência concreta, a não ser aí onde os fiéis se reúnem para ouvir a Palavra, orar, celebrar a Ceia do Senhor e se engajam numa vida, indissoluvelmente pessoal e comum, de fé e de caridade. Os Atos dos Apóstolos revelam a presença de uma fraternidade de cristãos, discípulos de Cristo, estreitamente unidos entre si, às vezes até à partilha dos bens.

 Os primeiros cristãos, estes três mil convertidos que, na manhã de Pentecostes, acolheram a Palavra de Pedro e dos Apóstolos, aparecem nos Atos dos Apóstolos como: uma comunidade assídua ao ensinamento dos apóstolos; uma comunidade fraterna sustentada por reuniões e múltiplos contactos; uma comunidade eucarística, que celebra o memorial do Senhor, "até que ele venha"; uma comunidade de oração, que inicialmente se encontrava no Templo e depois passou a reunir-se nas casas.

 Tais eram os traços dominantes pelos quais se reconhecia a Igreja em sua origem; o calor desta comunhão fraterna vivida foi o sinal por excelência de sua credibilidade: "Vejam como se amam", diziam aqueles que os observavam.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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