Reflexões / Matutações

Acusações contra a Igreja, a fé

18/01/2017

Recebi um e-mail com acusações contra a Igreja, a fé... Entre os absurdos a já surrada declaração de que a Igreja, a fé, o Evangelho, enfim, a religião é a responsável pelo atraso do mundo. Penso que o autor do e-mail entende por progresso essa barbárie que estamos assistindo.

 Foi em torno da Palavra de Deus e da fé que se organizou nossa civilização, sobre os escombros do Império Romano. A fé forneceu e fornece um itinerário para a humanidade. A Igreja, embora tenha cometido enganos porque inserida em seu tempo, sempre ajudou a civilização humana a crescer e se desenvolver, a progredir! Isto é inegável; somente os que são cegos por uma ideologia qualquer não admitem. A Igreja sempre teve a autoridade do Evangelho para opinar e estabelecer critérios morais para a vida comum e isso evitou, objetivamente, que mergulhássemos no caos e na destruição.

 O que vemos agora é uma “inversão”: é a sociedade que quer ditar seus princípios à fé e à Igreja. O mundo secular quer que a fé seja adequada aos seus princípios, por falta de valores cria o caos moral e não aceita ser questionado pela fé! A ciência não admite ser contestada e afirma de maneira arrogante ser a possuidora da verdade. Caminhamos assim...

 Realmente, a religião foi expulsa do centro do cenário. Realmente, não é mais a pauta religiosa que controla os destinos da humanidade. Mas é curioso ver  a sociedade laica querer impor sua pauta e sua própria personalidade à Igreja e à fé!

 É preciso buscar com persistência um diálogo produtivo entre Igreja e sociedade. A Igreja, depois do Concílio Vaticano II, não é mais um gueto: considera-se solidária com as preocupações e angústias do ser humano, com os menores problemas do dia a dia. Mas essa relação entre Igreja e sociedade não é uma relação unívoca; porque o Sagrado tem mistérios e exigências que não são os da sociedade secular.

 A sociedade evolui; mas às vezes também “involui”; e nesses momentos, a Igreja pode e deve se posicionar definitivamente “contra a corrente”, advertindo, anunciando, denunciando, exigindo e apontando o bom caminho. Para tanto, basta lembrar a história dos Profetas: homens como nós, apanhados pelo Altíssimo, anunciavam exatamente as coisas que a sociedade daquela época considerava mais antipáticas, mais inapropriadas, mas necessárias para sua salvação.

 Seria enganoso acreditar que, depois de muitos séculos, o Senhor Deus mudou de opinião, relativizou-se, tornou-se politicamente correto...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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