Reflexões / Matutações

Somos vocacionados a um alto ideal

11/01/2017

Estava matutando: somos vocacionados a um alto ideal, atraídos à santidade, então não podemos deixar de ser “apaixonados” e radicais. A postura dos que temem a “radicalidade” e relativizam a vida preferindo “o politicamente correto” é a escolha dos que preferem uma vida sem questionamentos.

 Nossa vida na fé exige ousadia! “Deus vomitará os mornos!” – Ap 3,15-16. Isso vale para aqueles que não ousam e escolhem o “menos”, que nunca se “arriscam”, evitam qualquer risco ou ruptura do conforto. De todos os que devolveram os talentos da parábola, aquele que enterrou o dinheiro foi o único que se apresentou triste, e depois deu uma desculpa esfarrapada. Passou uma vida inteira com o talento enterrado, com medo, e ao final murmurou dizendo que seu Senhor era injusto.

 “Deus vomitará os mornos!”, opõe-se a afirmação de que “a virtude está no justo meio”. Contraria a moral do nosso tempo: o relativismo. Subverte o ideal da “moderação e tranquilidade”. Mesmo na Igreja há dezenas de ensinos com a finalidade de exaltar o valor e a preferência pelo “morno”! As expressões “não é preciso tudo isso”, “é exagero”... estão presentes em nosso cotidiano. O “caminho do meio termo” é o “caminho” para a mediocridade.

 A mediocridade é a tentação de permanecer acampado, não ousando transpor o mar. É a tentação de se entregar aos egípcios diante do desafio de fé que representava o Mar Vermelho. A medíocridade é o contrario da parresia - ousadia -, é o contrário da criatividade.

 A causa da mediocridade está em nós mesmos: refugiamo-nos no “status”, na aparência; resistimo-nos a ser livres a partir da própria consciência. A raiz da mediocridade é o pecado; mas um pecado “minimizado”. Não é desmascará-lo. Não se de trata pecados graves, o medíocre não os tem. Mas de omissões e procrastinações que vão configurando progressivamente uma vida na mediocridade.

 Para não ser morno, é preciso ser “radical”, ou seja, firmar nossas raízes nas convicções mais profundas; procurar segurança nas decisões tomadas e não no relativismo e nas certezas medíocres. É preciso “transgredir” os próprios limites e dirigir o olhar para “o alto”.

 É preciso ter limites, mas estará o limite exatamente no meio? É essencial não ficar restrito ao confortável e letárgico centro. Muitas vezes o meio pode ficar inodoro, sem sabor e sem cor. Esses desejos de viver radicalmente só aparecem em forma de lamento “quase póstumo” de um “eu deveria ter...”: “devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer; devia ter arriscado mais e até errado mais, ter feito o que eu queria fazer...” - Titãs.

 Quando alguém não vive a vida na radicalidade da fé, só lhe resta a rotina da vida e o vazio existencial, a náusea e a mediocridade...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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