Reflexões / Matutações

Em relação ao Espírito Santo e suas manifestações

10/01/2017

Matutava... Em relação ao Espírito Santo e suas manifestações, é preciso dar mais atenção não nos dons, mas ao Doador: "não vossos dons, Senhor, mas vós!" – S. Agostinho. Os dons não são mais do que o brilho do Espírito, o Dom por excelência. Dom que encerra em si todos os dons.

 As manifestações do Espírito são o Espírito Santo em ação. Esta ação de Deus é infinitamente suave, discreta, soberanamente livre. O Espírito sopra, quando e como quer. É preciso que se evite a todo custo "coisificar" os dons, fazendo deles objetos, presentes que se distribuem, ou por outro lado, considerar os dons como “procedimentos” que podemos adquirir pelo aprendizado.

 Os dons são para o Doador aquilo que os raios solares são para o sol: não se identificam com ele, mas são inerentes a ele. O Espírito é inseparável de seus dons. Recebendo-o, recebo a plenitude de seus bens, plenitude que deve ser concebida não de maneira estática, mas dinâmica. Isso não implica que todos os dons recebidos em sua fonte se manifestem, nem que se manifestem da mesma maneira, no mesmo momento.

 A visibilidade dos dons e seu exercício variarão, não somente de pessoa para pessoa; mas, para cada um de nós, a moção do Espírito será uma. Não tenho a propriedade dos dons como possuo objetos numa gaveta; na realidade, sou possuído pelo Espírito que me move e me conduz ao sabor de seu amor infinito e segundo o grau de fé, de esperança e de amor que encontra em mim.

 O Espírito que hoje me anima em vista de uma missão, amanhã pode confiar-me outra; pode manifestar-se em mim não somente por um dom, mas por muitos, tanto simultânea como sucessivamente. É preciso corrigir o nosso modo de pensar, de contar, de catalogar os dons de Deus. São Paulo faz uma lista dos carismas de maneira bastante livre; dá enumerações diversas, que não quer sejam definitivas nem exaustivas: "A cada qual a manifestação do Espírito é dada para o bem comum" - 1Cor 12,7.

 Quando se trata de uma nova vinda do Espírito Santo na alma do batizado, é preciso partir do fato fundamental de que o cristão já recebeu, no batismo, a plenitude do Espírito Santo. Este não está mais para vir; está radicalmente presente no ponto de partida da vida cristã, mesmo se a tomada de consciência desta realidade só se fizer mais tarde. O Espírito está nele, a promessa de Deus está realizada, o batizado é morada da Santíssima Trindade.

 O Espírito Santo está associado a uma missão de poder: "Mas recebereis o poder do Espírito Santo que virá sobre vós para serdes minhas testemunhas..."  - At 1,8. Não são os Apóstolos sozinhos as testemunhas, mas os Apóstolos sob o impulso do Espírito. Por si mesmos podem testemunhar, como testemunhas diretas oculares de certos fatos referentes à ressurreição, mas é só pelo Espírito que podem atestar o sentido deste acontecimento.

 A fé cristã ensina que este poder do Espírito não é reservado somente aos apóstolos, mas faz parte integrante de nossa herança. Se ousássemos acreditar verdadeiramente, isso venceria nosso medo no serviço do Senhor e nos faria ver a vida espiritual não como fruto só de nosso esforço, mas como uma obra do Espírito em nós e conosco.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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