Reflexões / Matutações

Estamos vivendo de maneira coerente com a fé que professamos?

29/12/2016

Num dia destes matutava sobre a sociedade contemporânea, sobretudo a brasileira, o caminho que está trilhando e a presença dos cristãos nesta mesma sociedade... Perguntava: será que estamos contando com cristãos que não existem? Será que nós cristãos estamos vivendo de maneira coerente com a fé que, pelo menos formalmente, professamos?

 Pesquisas recentes apontam que a configuração dos cristãos na sociedade, sobretudo a brasileira, é formada, grosso modo, por dois grupos:

a)     Os que se limitam ao culto e alguma prática religiosa, refugiando-se numa piedade alienada, cujo compromisso social se reduz a esmola e doações a obras de beneficência e adotam uma postura devocionista;

b)     Os que esvaziam completamente a cruz de Cristo e transformam o cristianismo numa ideologia e cuja função reduz-se, quase que exclusivamente, a busca de uma sociedade justa e fraterna, um Reino aqui na terra, e adotam uma postura secularista.

 Se resumirmos o cristianismo somente a estas duas correntes, então os marxistas têm razão em dizer que “a religião é o ópio do povo”, ou que “chegamos tarde” e que agora o discurso cristão deve se formar com o que “sobrou para dizer”, um discurso inócuo de libertação feito a uma “colcha de retalhos”. Se transformarmos o cristianismo numa ideologia, então chegamos por último!

 Se misturarmos socialismo comunista, existencialismo  individualista, relativismo, etc. ao Evangelho, tornamos a fé em algo irrelevante ou num programa social, ou “filosofia de autoajuda”, ou “teorias de prosperidade” e transformamos a Igreja numa ONG ou num “divã de psicanálise” ou num “circo de espetáculos

 Como cristãos devemos buscar, a partir do Evangelho de Jesus Cristo, transformar os corações dos homens. "Nossa confiança está na Boa Nova, que é uma força de Deus para a salvação de todo aquele que crê" - Rom 1,16.

 O exercício verdadeiro da fé tem como resultado a mudança de atitudes, de mentalidades e de relações, o que leva a um engajamento efetivo na busca da transformação do mundo e o estabelecimento de uma sociedade justa e fraterna. Jesus e seu Evangelho fundamentam, pela fé, a humanidade nova; em Cristo está nossa esperança!

 Na medida em que o dom de Deus, o Espírito de Deus, é acolhido pela pessoa, vai-se desenvolvendo nela a vida cristã, a vida nova! A ação do Espírito Santo instaura na pessoa que o acolhe um dinamismo renovador que transforma o "velho" em "novo" capacitando para a prática do amor até aos inimigos - Mt 5,44 e do serviço concreto.

 Quer dizer, impulsionados pelo amor gratuito de Deus, somos capazes de “construir a Cidade de Deus”, sem alienação ou utopia.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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