Reflexões / Matutações

Nossa Senhora de Guadalupe, Rainha das Américas!

12/12/2016

Hoje é dia de Nossa Senhora de Guadalupe, Rainha das Américas!

O texto é longo, mas a história é linda!

 O acontecido – um resumo do texto oficial em azteca chamado “Nican Mophua”

O México tinha sido conquistado pelos espanhóis e por causa da violência das guerras os aztecas não aceitavam a religião dos vencedores.

Nas redondezas da antiga capital azteca — que se tornou a capital mexicana — vivia um índio convertido chamado Juan Diego. Era um camponês pobre e humilde que, entre os índios, estava destinado aos trabalhos servis mais desprezados e difíceis, por pertencer à casa dos Tlamenes, que entre os aztecas só não eram inferiores aos escravos. Juan Diego era convertido e catequizado pelos frades franciscanos.

 O primeiro encontro

Dia 9 de dezembro de 1531 (sábado)- Juan Diego deixou sua casa na aldeia de Tulpetlac e se dirigiu à vizinha Tlatelolco, na periferia da Cidade do México, para participar da Missa e ao passar pela colina de Tepeiac, ouviu sons, como se muitos pássaros.Pensou em voz alta, no seu linguajar azteca cheio de simbolismos: "Porventura mereço isto? Será que isto não é fantasia? Será que já estou lá onde ficaram nossos avôs, na Terra da Flor, lá dentro do Céu?". Ouviu uma voz que o chamava de lá, dizendo: "Juanito! Juan Dieguito!"

Muito contente subiu a colina, e ali avistou a bela Senhora que o chamava. Sua roupa parecia um sol brilhante, refletindo nas pedras e ervas que havia ao redo: "Ouve, filho meu, o mais desamparado, digno Juan, para onde vais? Juanito, menor dos meus filhos, fica sabendo que sou Maria, sempre Virgem, Mãe do verdadeiro Deus, por quem vivemos. Desejo muito que se erga aqui um templo para mim, onde mostrarei e prodigalizarei todo o meu amor, compaixão, auxílio e proteção a todos os moradores desta terra e também a outros devotos que me invoquem confiantes. Vai ao Bispo do México e manifesta-lhe o que tanto desejo. Vai e põe nisto todo o teu empenho".

 Segundo encontro

Volatando da casa do Bispo, o índio vai a colina e encontra a Senhora, que o esperava. Prostrando-se diante dela se lamentou, no linguajar bem típico dos índios quando falavam com carinho e respeito: "Senhora minha, Ama, Dona, a mais desamparada de minhas Filhas, Menina minha, fiz o que me mandaste fazer. O senhor Bispo me ouviu, mas seu coração não admitiu e não acreditou”. Respondeu-lhe a Virgem, com imenso carinho: "Ouve, filho meu, o mais desamparado, sabe em teu coração que não são poucos os meus servidores e mensageiros, a quem posso dar o encargo de levar meu pensamento e minha palavra para que cumpram minha vontade. Rogo-te muito, filho meu, o mais desamparado, e com toda a energia te mando que amanhã, precisamente, vás outra vez ter com o Bispo. Faz com que ouça bem minha vontade e desejo, que edifique meu templo que lhe peço. E diz a ele, uma vez mais, que eu, em pessoa, que sou a sempre Virgem Maria, a Mãe de Deus, te envio a ele".

O dia seguinte era domingo. Foi à casa do senhor Bispo, ajoelhou-se aos pés de Dom Juan de Zumárraga, chorou e tornou a comunicar o desejo da Senhora do Céu: que se construísse a capela no lugar onde ela queria. O Bispo não acreditou. Disse-lhe que não bastava sua palavra para fazer o que ele solicitava. Pediu um sinal para que pudesse acreditar ter sido ele enviado pela Senhora do Céu.

 Terceiro encontro

Na segunda feira, quando deveria levar o sinal ao Bispo, o tio de Juan Diego adoece e pede que ele vá buscar um médico que pouco pode fazer. Então a noite como o estado era grave, o tio lhe pediu que fosse buscar um sacerdote.

Dia 12 de dezembro de 1531 (terça feira). De madrugada Juan Diego saiu de casa para buscar um sacerdote em Tlatelolco. Chegando perto da colina de Tepeiac, disse:"Se eu for por aqui, pode ser que a Senhora venha me encontrar e então me atrasarei para levar o sacerdote ao meu tio. Vou passar por outro lugar, e outra hora passo aqui". Rodeou a colina, pensava que não seria visto, mas vê a Virgem descer do cume da colina, barrar-Ihe a passagem e perguntar: "Filho meu, o mais desamparado, para onde vais? Para onde te diriges? Ouve e guarda em teu coração, filho meu, o mais desamparado. É nada o que te assusta e abate, não te perturbes, não temas essa enfermidade, nem qualquer outro padecimento ou algo angustioso. Acaso não sou eu a tua Mãe? Não estás sob minha sombra e proteção? Acaso não sou eu a tua fonte de vida? Não estás na dobra do meu manto, justamente onde cruzo meus braços? Que mais te faz falta? Que nada te angustie nem te cause amarguras. Que a enfermidade do teu tio não te aflija. Porque não h,á de morrer dessa doença. Crê no teu coração que ele já está curado".

Então a Senhora do Céu lhe ordenou que subisse a colina, ao lugar onde lhe aparecera pela primeira vez. Disse-lhe: "Sobe, filho meu, o mais desamparado, colina acima, e ali onde me viste e onde te dei ordens, neste mesmo lugar verás diversas flores desabrochadas; corta-as, junta-as, reúne-as. E desce logo para cá, trazendo-as a mim".

Juan Diego obedeceu e lá chegando admirou-se ao ver, desabrochadas e abertas, as várias espécies de rosas finas de Castela. Colheu-as e guardou-as na dobra de sua manta. Desceu a colina e mostrou à Rainha do Céu as flores que colhera. Ela as tomou em suas mãos e depois as arranjou melhor na dobra da tilma de Juan Diego.

 O milagre do manto

Juan Diego foi ao palácio do Bispo sendo impedido de entrar. Ficou ali muito tempo esperando em pé, tristonho, sempre escondendo as flores que trazia envolvidas na filma. Os criados, espiando e vendo que eram flores frescas, foram então contar ao senhor Bispo o que tinham visto e que o tal índio esperava pacientemente ser recebido. Então Dom Frei Juan de Zumárraga ordenou que entrasse. Chegando Juan Diego diante do Bispo, ajoelhou-se e disse:

"Dono meu, Senhor, já fiz o que me ordenaste. Fui dizer à minha Ama, à minha Dona, à Senhora do Céu, Santa Maria, preciosa Mãe de Deus, como tu me pedias um sinal para poder acreditar em mim e então mandar erguer o templo. Contei a ela que eu te dera minha palavra de trazer o sinal. Ela acolheu teu pedido e enviou-me ao cume da colina, onde a vi pela primeira vez, e me mandou colher rosas de Castela. E foi ela própria que, com suas mãozinhas, ajeitou as flores dentro da minha manta dobrada para eu vir te trazer pessoalmente. Ainda que eu soubesse que o topo da colina não é lugar onde brotam flores, que ali só há pedras e espinheiros, nem por isso me surpreendi nem duvidei. E as encontrei lá, deslumbrantes e salpicadas de orvalho. Agora aqui estão. Digna-te recebê-las".

Juan Diego abriu sua manta e caíram no chão todas as variadas rosas de Castela. No mesmo instante apareceu estampada no manto a preciosa imagem da sempre Virgem Maria, Mãe de Deus. Ao ver isso, todos os que estavam presentes se ajoelharam, admiradíssimos e com o coração cheio de emoção. Depois de orar, também emocionado, Dom Frei Juan de Zumárraga se pôs de pé, desamarrou a manta do pescoço do índio, na qual apareceu a imagem da Senhora do Céu, e guardou-a no seu oratório.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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