Reflexões / Matutações

A religião é legalismo moralista?

08/12/2016

Fiquei matutando sobre a prática religiosa depois que observei que, muitas vezes, a religião é legalismo moralista.

 A religião moralista, no sentido legalista e rigorista, sem a dimensão da liberdade e do amor, sempre foi um impedimento para a vivência da fé. Hoje, paralelo à perda do senso religioso, caminha uma tendência ultraconservadora que quer reduzir a religião, novamente, a uma prática puramente legalista. Isso é farisaísmo

 Jesus revela a verdade sobre os escribas e fariseus. Mostra que a sua maneira de viver e de cumprir a vontade de Deus é falsa. Não se deve pensar que a salvação está na simples obediência jurídica e material a uma lista de mandamentos. O importante é o interior, o coração. O farisaísmo é legalista e se preocupa com o exterior apenas – Lc 11,34ss. É preciso saber interpretar o apelo da lei na sua real hierarquia de valores, e não cair numa atitude de ostentação e de vaidade – Lc 11,42ss. A hipocrisia pode ocultar a realidade aos homens, não, porém, a Deus.

 Ontem como hoje os moralistas merecem censura. Multiplicam mandamentos e constroem uma vida complicada. No entanto, não compreendem a Lei como mediação entre a vontade de Deus e a responsabilidade pessoal. Eles escondem "a chave” da vida. Conservam e multiplicam tradições confusas e até mesmo criminosas, criam procedimentos e julgam com facilidade. A sua ciência moral é tão complicada que esconde o há de mais importante na orientação tanto da vida quanto dos atos humanos - Mt 23,13.

 Não podemos reduzir a religião a uma prática legalista e moralista. Para o fariseu (antigo e moderno), a religião significa obediência à Lei; mas, a Lei só pode orientar o que o homem faz, e não o que deve ser. A religião legalista permanece nos aspectos mais superficiais e exteriores da conduta humana; é sempre negativa; focaliza mais o mal do que o bem. O homem verdadeiramente religioso percebe o que é mais importante na vida, e busca a “misericórdia” e não “a lei”. Os fariseus são sepulcros: por fora, parecem santos, mas por dentro estão podres, e a sua influência leva para a morte.

 A religião não pode se tornar peso e fardo para os homens; a vontade amorosa de Deus é vida e liberdade, e não escravidão que oprime e condena. Somos chamados a viver uma religião autêntica e verdadeira, que busca no Evangelho seus critérios e valores. Jesus Cristo veio nos trazer a verdadeira religião que está fundada no amor misericordioso de Deus, que é nosso Pai. A liberdade que nos dá responsabilidade, mas não traz fardos e prisões.

 Devemos buscar esta verdadeira religião que Jesus Cristo veio revelar: a religião do Amor de Deus, que nos faz responsáveis uns pelos outros e que por isso nos faz livres.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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