Reflexões / Matutações

Uma história "velha"

16/11/2016

Estava organizando meus livros e escritos antigos encontrei caderno bem velho com algumas aulas de catecismo da época do Colégio interno. Aulas do padre Cláudio Nardelli, salesiano, que chamávamos de “padre Tarzan”, porque era muito forte. Folheando o caderno encontrei uma história...

A história tinha como título: “Dê-me cinco cruzeiros de Evangelho”. Cruzeiro era a moeda “daquele tempo” - depois veio cruzado, cruzado novo, cruzeiro (de novo), cruzeiro novo e, agora, real, depois de período da URV. Ufa!

Cinco cruzeiros, na época, era um valor não muito alto, mas também não era baixo; mais ou menos... Mas a moeda é o que menos importa aqui... O texto fala que um homem que vai “adquirir cinco cruzeiros de Evangelho” e faz ao “vendedor” o seguinte pedido:

Eu gostaria de comprar, mais ou menos, cinco cruzeiros de Evangelho, por favor. Não muito, apenas o suficiente para fazer-me feliz e seguro. Uma quantidade suficiente, mas de forma que eu não fique comprometido e não tenha que mudar de vida. Não quero muito Evangelho, pois que não quero renunciar a ganância, a cobiça e a luxúria. A quantidade é aquela que não exija perdoar e amar os inimigos. “Um tanto” que me dê religião, mas não conversão; que me dê emoção, mas não missão; que me faça querido pelos outros, mas que não me peça para ser acolhedor. O bastante para acomodar minha consciência e justificar o relativismo e o “politicamente correto”, sem radicalismos e “conflitos”.

Eu gostaria de Evangelho suficiente para dar segurança a minha família e que faça de meus filhos pessoas bem sucedidas, mas que não exija a mudança de meus projetos de conforto e riqueza. Enfim, quero uma quantidade de Evangelho que seja suficiente para dar um verniz de respeito à minha vida, não mais do que isto. Então, por favor, me dê cinco cruzeiros de Evangelho.

Fiquei matutando...

Será que estamos vendendo Evangelho a granel? Conforme o pedido do “freguês”? Será que não estamos “barateando a graça” – Bonhoeffer. Estamos transformando nossas comunidades em “armazéns” ou “vendas” de Evangelho, onde cada um adquire a quantidade que quer? Será que não estamos transformando nossa pregação em propaganda para “adquirir mais fregueses”, através de descontos e facilidades de crédito?

O quanto de Evangelho queremos em nossa vida? Que tipo de cristãos nós somos? Cinco cruzeiros de Evangelho são suficientes para fazer de nós cristãos autênticos? Ou hipócritas, tíbios, medíocres, “mornos” – Ap 3,16 e nada mais.

Depressa, fui fazer as contas de quanto Evangelho adquiri...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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