Reflexões / Matutações

Matutando sobre República

15/11/2016

Hoje comemoramos a proclamação da República. Discute-se até hoje as razões e os personagens do fato. Esse ano o ferido proporcionou um “feriadão”, com a segunda feira “emendada”. Fiquei matutando sobre República, crise política-moral, fé-participação...

 A degradação da política, pela demagogia, corrupção, conluios, busca de interesses pessoais e de grupos e manipulação, é reprovável. Mas a política deve ser valorizada, pois é uma dimensão do humano. A fé é a fundamentação última e o critério ordenador da visão política cristã, de sorte que a ação política dos cristãos deve ser uma participação livre, decorrente da alegria de ser amado por Deus e poder levar essa alegria aos outros.

 A função da fé é inserir as pessoas numa dinâmica de solidariedade, que chamamos de “amor ao próximo” - Mc 12,31. Amor às pessoas, especialmente aos oprimidos, não às coisas. A fé deve nos levar à vida fraterna, da qual a Igreja é sinal, e a política uma expressão privilegiada.

 A experiência cristã funda-se em Jesus Cristo. Nele as pessoas se sentem amadas pelo Pai, e estimuladas a permanecer na caridade - Jo 15,9. Essa experiência cria um espírito de abertura aos apelos dos outros. O Cristo ressuscitado, que venceu as forças desagregadoras da morte, devolve o ser humano ao terreno da história, lugar do amor e do serviço. Ele caminha de mãos dadas com as pessoas que se comprometem na construção de uma sociedade mais justa e fraterna: Ide pelo mundo, estarei convosco! - Mt 28,19-20.

 “Considerando que a fé cristã é trinitária não se pode esquecer que Deus só é Pai em relação ao Filho, a quem dá tudo, e com quem tem, por conseguinte, uma relação fraterna. Portanto a fraternidade entre o Pai e o Filho, proporcionada pelo Espírito, que é amor, é o fundamento último para a compreensão da política” – Congar.

 A fraternidade da Santíssima Trindade é a chave de compreensão para o exercício do poder como serviço, superando o autoritarismo e a manipulação, e da participação na política como construção de um mundo de paz, vencendo o individualismo e a acomodação. Assim, a autêntica experiência do encontro com Deus leva a uma maior participação na vida da sociedade.

 Uma determinada visão política, no fundo, tem como paralelo certa ideia de Deus: uma concepção equivocada de Deus resulta em degradação da política. As distorções mais comuns são o autoritarismo, quando se acredita possuir o monopólio da virtude e do poder e a resignação, a aceitação servil que justifica o não envolvimento e participação na construção da sociedade justa e fraterna.

 “Não existe fé autêntica sem um consequente compromisso social" - Puebla.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

Deixe seu comentário

Últimas


O farisaísmo é “um caminho segundo a carne” - 18/10/2017

O fermento dos fariseus - 17/10/2017

Os tempos atuais não são fáceis.. - 16/10/2017