Reflexões / Matutações

Qual nossa escolha? Marta ou Maria?

11/11/2016

Num Retiro o pregador refletia sobre Marta e Maria – Lc 10,38. O texto apresenta primeiro Marta e Maria é sua irmã. A tradição fixou esta ordem, mas não será porque nossa primeira tendência é a atividade e a oração uma conquista? Mas vamos lá... Ao final da reflexão perguntou: qual nossa escolha? Marta ou Maria?

Fiquei matutando... É uma pergunta difícil. Minha primeira tendência foi pensar: Maria! Mas olhando as demandas da evangelização, da necessidade da ação cristã no mundo, do “clamor dos pobres”, fui forçado a pensar que Marta também faz a vontade de Deus. Afinal alguém tem que “arrumar a casa comum” para receber o Senhor que vem...

Maria está diante de Jesus, para aprender, para ouvir, para adorar, abrir sua alma... Marta precupada com as “coisas práticas”: a casa limpa e arrumada para receber o Mestre. Algum mal nisso? Não! Marta fazia por amor! Certamente que as duas atitudes são necessárias. Jesus não disse que Marta procedeu mal, mas com a sua preocupação, esqueceu-se da “melhor parte”.

Marta é figura de um tipo de cristão comum em nossos dias: pessoas boas, comprometidas com o social, absorvidas no trabalho, mas sua atenção está voltada para o serviço de tal modo que não têm tempo para buscar o Senhor, consideram a oração, muitas vezes, perda de tempo.

O texto está no contexto da parábola do Bom Samaritano – Lc 1,25, que enseja o envolvimento ativo com as necessidades imediatas dos “assaltados no caminho”, em detrimento das atitudes “religiosas” do sacerdote e do levita. Então “criticar” Marta pode parecer um “equívoco”.

Certamente que a Igreja não pode ser indiferente aos problemas sociais, mas esse não é o núcleo de sua missão, que é a proclamação do Evangelho. Pela fé, sabemos que a solução não está nos sistemas político-econômicos... mas em Jesus e para tanto é preciso conversão!

Creio que a questão é a prioridade: primeiro estar com o Senhor, depois o serviço do Senhor! Esta ordem foi estabalecida no discipulado: Jesus “chamou os que ele quiz”, “para que ficassem com Ele e (depois) para que os enviasse a anunciar a Boa Nova” – Mc 3,13. O Doc. de Aparecida também fala desta ordem. Marta subverteu esta prioridade que não era sua maneira de pensar, sua tradição e cultura. Começou pelo trabalho, sem ouvir primeiro a Jesus.

Certamente que “agir”, “fazer”, é importante. O serviço de Marta é importante, é imprescindível na Igreja dos nossos dias. Mas, há tempo para tudo. Tempo para estar com Jesus e tempo para servir a Jesus. Estar com o Senhor para servir o Senhor. Esta sequência é importante e não pode ser invertida.

 

Não podemos começar por servir ao Senhor, sem primeiro ouvi-Lo. Esta é a “melhor parte”...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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