Reflexões / Matutações

o "conhecimento de Deus"

31/10/2016

Num café da manhã, “apareceu” o assunto do “conhecimento de Deus”. A conversa “engordou” e ficamos um bom tempo ali. Esse “papo fraterno” me fez ficar matutando e percebi algumas coisas...

Quando a Bíblia nos fala de conhecer a Deus vai muito além do saber abstrato, fala da experiência de uma relação existencial, pessoal, íntima. Por isso, o Deus da fé a quem queremos conhecer mais, não é o Deus dos filósofos, mas o “Deus vivo” que se deu a conhecer.

A iniciativa divina o pressuposto fundamental. É Deus que se revela, deixa-se conhecer, não ao modo pagão ou de alguns esoterismos próprios de seitas modernas que, através de "iniciações", querem apoderar-se do divino, mas como dom gratuito no amor.

O amor de quem nos conhece se manifesta como um mistério de eleição. Mateus, o publicano, conhecido e amado por Jesus, escolhido para ser apóstolo, conheceu aquele que o chamava através de uma experiência interior, intransferível. Odiado e desprezado pelos homens, julgado e repelido por escribas e fariseus, sentiu-se conhecido por Cristo, o Senhor, que lhe disse: "Segue-me". Como uma mola propulsora a graça da fé fez o resto: "Ele se levantou e seguiu a Jesus" – Mt 9,9.

 Os escribas e fariseus não aceitaram esse conhecimento. Nos tempos de Jesus, dificilmente se encontraria quem melhor conhecesse as Escrituras, a Aliança de Israel e os preceitos da Lei... Tão eruditos, na totalidade de seus conhecimentos, não reconheceram em Jesus a revelação de Deus amoroso. Cegos para conhecer fizeram-se cegos para guiar e foram reprovados.

Dificilmente existiriam mestres com mais títulos para ensinar o povo, mas não conheciam a Deus e a religião que ensinavam não passava de ritos vazios. A experiência de Deus desperta o amor, mais do que os sacrifícios legalistas tranquilizadores da consciência e fonte de seguranças pseudo-religiosas.

A experiência de Deus está na raiz de uma fé madura. Fé que inclui a percepção de nossa pobreza radical. Longe de nos desanimar, essa fé nos faz confiantes em Deus e solidários com as pessoas: como Moisés na experiência da sarça ardente - Ex 3. Trata-se de uma percepção que é fruto da experiência interior da misericórdia de um Deus amoroso.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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