Reflexões / Matutações

Experiência do batismo no Espírito Santo

18/10/2016

Na comunidade primitiva, o Espírito era um fato vivo experimentado, que não podiam negar sem negar que eram cristãos. O Espírito se derramava sobre eles e a experiência – tanto pessoal como comunitária – constituía uma nova realidade. A experiência da fé é inerente ao testemunho do Novo Testamento; omitindo-se essa dimensão na vida da Igreja, nós a empobrecemos.

Experiência é um conhecimento concreto de Deus que se aproxima do homem; é um conhecimento adquirido no contato, sendo oposto ao conhecimento intelectual, fruto de um esforço. “A experiência se dá pelo contato proporcionado pelos sentidos, sendo, neste sentido, um conhecimento original (posto que este conhecimento adquirido não vem da leitura ou aprendizado, que supõe uma experiência anterior e de um outro que a descreve ou a ensina). É diferente de ler uma descrição de uma paisagem e estar lá” - Heribert Mühlen. É um conhecimento percebido como um fato.

Ao descrever uma experiência, produz-se, em quem escuta, uma comoção que a predispõe a ter ela mesma uma experiência original, no sentido de ser só dela, embora esta comoção - At 2,37 não seja a experiência em si, que sendo pessoal produz um conhecimento próprio, adquirido e inquestionável.

Experiência é conhecimento em nível pessoal e contém alguns elementos do não-conceitual. Esta visão não conceitual que se tem de Deus, faz parte da experiência. Maria ao falar que não “conhecia homem algum” - Lc 1,34 por certo não desconhecia como acontecia a fecundação, mas queria dizer que ela não havia experimentado esta relação que lhe daria o “conhecimento”.

O termo grego “conhecer” se liga ao conceito experimentar e em algumas situações designa o relacionamento pessoal de amizade próxima com um “outro”. Este conceito de “conhecer – relacionar” também é encontrado na língua hebraica onde significa “conhecer pela convivência”.

Ao fazer uma oposição entre inteligência e experiência, não ignoramos que o processo de reflexão possui também algo de experiencial. Também não se deve opor fé e experiência. Ao passo que o conceitual não está completamente ausente da experiência, esta é o conhecimento a nível pessoal da realidade e presença de Deus que vem ao homem. É a percepção experiencial da realidade de Deus.

Conhecer a Deus pela experiência que se faz dEle, significa concretamente entrar no relacionamento pessoal que Ele mesmo propõe. Neste sentido as fórmulas, liturgias, ritos, dogmas e ministérios são mediações para nos elevar a Deus e possibilitar uma experiência de fé que nos dê o conhecimento de Sua vida em nós.

Tomé precisou tocar para crer. Nós também precisamos “tocar” para crer, principalmente num mundo marcado pelo “imediato”, onde o “virtual” se assemelha ao real.

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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