Reflexões / Matutações

O inferno não é uma “ameaça de Deus”

13/10/2016

Ouço constantemente algo assim: Deus é bom Pai, não irá condenar ninguém! Então não se preocupe: viva como quiser. Com outras formulações, esta mentalidade está presente em nossa cultura e mesmo dentro de nossas comunidades eclesiais.

 Fico matutanto: se a problemática da nossa salvação dependesse só de Deus, ninguém se condenaria. Mas por causa da liberdade, ela depende também de nossa cooperação, por isso corremos o risco da condenação. O inferno não é uma “ameaça de Deus”, mas resultado de nossas escolhas. Se durante a vida não optamos por Deus, porque seria assim na eternidade?

 A condenação é algo que não está do projeto de Deus para nós, pois Ele nos deu seu Filho, não para nos condenar, mas para no salvar – Jo 3,17. Mas, infelizmente, o inferno, como possibilidade terrível para a alma humana, não é mais considerado ou negado. Fomos de um extremo ao outro: do castigo e ameaça do inferno ao “liberalismo” onde a condenação e o inferno não existem. O prejuízo nas duas posturas é enorme: o medo de Deus e o relaxamento na vida espiritual.

 “Pode haver pessoas que destruíram totalmente em si próprias o desejo da verdade e a disponibilidade para o amor; pessoas nas quais tudo se tornou mentira; pessoas que viveram para o ódio e espezinharam o amor em si mesmas. Trata-se de uma perspectiva terrível, mas algumas figuras da nossa mesma história deixam entrever, de forma assustadora, perfis deste gênero. Em tais indivíduos, não haveria nada de remediável e a destruição do bem seria irrevogável: é já isto que se indica com a palavra inferno”. - Spe Salvi 45

 O inferno não é uma hipótese teológica, mas uma constatação histórica, cuja possibilidade se torna bem concreta, se o ser humano olhar com sinceridade para o próprio coração. Fatalmente, a criatura pode sim afastar-se de seu Criador.

 Muitos cristãos, embora acreditem na existência do inferno e saibam de sua possibilidade, continuam vivendo tranquilamente no pecado.Não se pode viver como se o inferno não existisse e muitos vivem assim! Entretanto, são pessoas inteligentes, capazes de resolver seus problemas, administrar, cuidar da família, progredir... Mas, infelizmente, não sabem cuidar de suas almas, o que é uma verdadeira loucura.

 Vejo que são justamente as pessoas que não creem no inferno que cometem as maiores injustiças e atrocidades. Como não há castigo, e sendo elas próprias o critério “do bem e do mal", tudo parece  ser permitido...

 Arrisca-se aquele que ouve a Palavra de Deus e não a considera em sua vida; é temeridade conhecer a vontade de Deus e não se esforçar em praticá-la; é imprudência não buscar as virtudes... É preciso o empenho de nossa vontade em amar a Deus e ao próximo – Mc 12,30.

 

Vigiar e rezar...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

Deixe seu comentário

Últimas


O essencial na vida cristã - 23/10/2017

A maturidade cristã - 20/10/2017

O farisaísmo é “um caminho segundo a carne” - 18/10/2017