Reflexões / Matutações

O futebol é a mais brasileira das religiões

10/10/2016

Meu time ganhou de um a zero! O Brasil é o país do futebol! O fim de semana vive de e do futebol que desagua em comentários, “mesas redondas”, “gols da rodada”, intermináveis desde domingo à noite esparramando-se pela segunda feira... Vitórias, derrotas, o sobe-desce na classificação, a “zona do rebaixamento”, campeonato inglês, italiano, espanhol... Haja futebol!

 Matutando, recordei um texto do Frei Beto: “Futebol é a mais brasileira das religiões. Jogo de futebol no Brasil é missa obrigatória. Sim, sem exagero. Porque, no Brasil, futebol é religião. E jogo, liturgia. O torcedor tem fé no seu time. Ainda que o time seja o lanterninha, o torcedor acredita piamente que dias melhores virão. Por isso, honra a camisa, vai ao estádio, mistura-se à multidão, grita, xinga, aplaude, chora de tristeza ou alegria, qual devoto que deposita todas as suas esperanças no santo de sua invocação”.

 Mas esta constatação incomoda. E o que incomoda é a substituição da fé pelo time, da religião pela torcida, os “jogadores são ídolos” e o domingo “dia do futebol” e não mais “do Senhor”. Compromissos pastorais e de missão são cancelados por causa de uma final; horários de reuniões importantes são alterados por causa de uma partida “importante”, ausências na comunidade são justificadas por um jogo “decisivo”. A identidade pessoal passa ser a do time, defendido com orgulho e, infelizmente às vezes, com violência até a morte...

 O futebol é um esporte que move as massas. A paixão pelo time do coração faz com que, muitas vezes, o futebol seja equiparado à religião, conforme conceito de Max Weber. As necessidades existenciais obrigam representar de alguma forma, os fatos cotidianos. Como vivemos uma sociedade cada vez mais secularizada, onde os valores da fé são minimizados, quando não eliminados, “o desejo natural da transcendência e de culto – e porque não, a busca do paraíso que é representado pelo campeonato – torna o futebol uma alternativa religiosa”! - Durkheim

 O fato é que, sem a experiência da fé, o homem volta-se para outra devoção ou um conjunto de normas e valores que “dão sentido à vida”, e o futebol é uma alternativa comum. Com frequência ouvimos em entrevistas: minha vida é o “time do coração”... “choro e ranger de dentes - inferno” nas derrotas, “exultação e glórias - céu” nas vitórias!

 Não sou “tão fundamentalista” a ponto de demonizar o futebol, ou “tão devoto” a ponto entrar em depressão por causa “dos 7x1”, mas penso que se a fé fosse levada tão a sério como muitos levam o futebol, se o Evangelho de Jesus Cristo fosse a causa fundamental como muitos fazem com seus “times de coração”, com certeza nosso mundo seria diferente...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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