Reflexões / Matutações

Não temas, pequeno rebanho!

04/10/2016

Estava relendo o livro “O sal da Terra” – Ed. Imago, 1997, uma longa entrevista de Bento XVI, ainda Cardeal Ratzinger, e um parágrafo chamou minha atenção. Na primeira leitura não tinha percebido assim. Diz o texto:

“Talvez tenhamos que nos despedir das ideias existentes de uma Igreja de massas. Estamos possivelmente perante uma época diferente e nova na história da Igreja. Nela o cristianismo voltará a estar sob o signo do grão de mostarda, em pequenos grupos, aparentemente sem importância, mas que vivem intensamente contra o Mal e trazem o Bem para o mundo; que deixam Deus entrar”. – p.15.

 Fiquei matutando incomodado...

 Estamos diante de uma época diferente e é preciso abandonar o conforto dos lugares ocupados há muito tempo. Hoje o cristianismo é questionado em sua capacidade de transformar o mundo e a radicalidade da fé tem sido corroída pelo relativismo que atinge a própria comunidade cristã.

 A transformação do mundo virá através das pequenas comunidades cristãs em escala humana. Vendo os cristãos viverem, o mundo deveria receber um choque e perguntar-se: qual é o segredo deste amor mútuo, desta serenidade, deste esquecimento de si? Então o nome de Jesus Cristo assumiria uma importância inesperada, porque a própria vida seria a “luz que brilha nas trevas”! É o sinal da credibilidade dado pelo próprio Jesus; é o argumento eficaz por excelência. A experiência cristã tem valor profético para o mundo.

 Sob o ponto de vista humano, poderia parecer uma loucura pensar que a “renovação da face da Terra” viria através das pequenas comunidades cristãs que, por mais fervorosas, não representam mais do que uma gota de água no oceano. Mas se levarmos em conta que a energia espiritual que se liberta de todo grupo que aceita que Cristo o anime de seu Espírito, tudo muda de valor porque entramos na virtude e no próprio poder de Deus. É a semente de mostarda!

 O "pequeno rebanho do Evangelho" é o próprio símbolo de uma minoria cristã, esta minoria “abraâmica” é que na realidade, transforma o mundo, como dizia D. Helder Câmara.

 Na história do cristianismo, a graça opera sempre através do pequeno número. “A visão penetrante, a convicção ardente, a resolução indomável do Pequeno número, o sangue do mártir, a oração do santo, a ação heroica, a crise passageira, a energia concentrada de uma palavra ou de um olhar, eis os instrumentos do céu”!  - Cardeal Suenens

 Não temas, pequeno rebanho, pois é poderoso Aquele que está em teu meio e por ti ele fará maravilhas!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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