Reflexões / Matutações

A Suavidade de Deus

23/09/2016

Elias acabara de exterminar, em seu zelo, todos os sacerdotes de Baal, após o fogo, vindo do céu, consumir todas as oferendas que estavam sobre o altar, de doze pedras e encharcadas de água. Uma experiência, literalmente espetacular da ação de Deus! – 1Rs 18-19

 Após esse sucesso era de se esperar que Elias se sentisse realizado, eufórico, com sua autoestima “lá em cima”, animado e otimista! Mas deu-se o contrário! Amedrontado pela reação de Jezabel, mulher de Acab, o rei infiel, foge para o deserto e deseja morrer, o ponto mais baixo que podia chegar.

 Fiquei matutando...

 Algumas vezes isso acontece conosco. Depois de um esforço de missão, ou de um “evento tremendo”, nos encontramos abatidos. O medo das consequências das opções exigidas, a euforia sem compromisso, as motivações interesseiras, a busca pelo extraordinário exclusivamente podem nos levar a um estado espiritual de tristeza, desânimo... a um vazio... pensamos em desistir...

 Mas Deus não desistiu de Elias, como não desiste de nós! Conduziu o profeta ao Horeb para restaurar sua vida e seu ministério por uma experiência de Sua Presença. Ali vai levar Elias a mais profunda experiência, diferente substancialmente daquela de poder tremendo no Monte Carmelo.

 Na porta da caverna, no Monte de Deus, veio um furacão e Deus não estava ali. Segue um “terremoto”, também ali não estava o Senhor. O fogo, o mesmo fogo que consumira tudo que estava sobre o altar, agora não significa mais a presença de Deus. Elias acostumado aos “grandes espetáculos” não via e nem “sentia” Deus nestas coisas... Elias se frustra...

 Então, “de repente”, veio então “o murmúrio de uma leve brisa” e Elias “cobriu o rosto com o manto”, pois ali estava o Senhor.

 Algumas vezes pensamos que Deus só pode ser encontrado nos grandes feitos, nos grandes sinais, nos grandes eventos. Corremos o risco de querer alimentar nossa fé só nas experiências “tremendas”, o “espetáculo”, e nos frustramos quando Deus não se apresenta aí.

 Deus se encontra também no cotidiano da vida, nos pequenos gestos de amor e amizade, na delicadeza de um favor prestado gratuitamente, num bom dia falado com alegria no elevador, no abraço de um filho, num afago de pai, num pequeno grupo de oração onde a fraternidade substitui o agito... Experimentamos a Presença na oração silenciosa...

 Elias foi consolado e a “brisa suave” o colocou de volta no “caminho”...

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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