Reflexões / Matutações

As Tentações

22/09/2016

Estava rezando o “terço” e percebi que no “Pai Nosso” Jesus nos ensina pedir ao Pai, de modo absoluto: “livrai-nos do maligno”. Mas não ensina o mesmo em relação às tentações. Não nos faz pedir a Deus Pai que as elimine da nossa vida, mas que não nos “deixe cair” nelas! Matutei: isso deve ter um motivo!

 Entendemos por “tentação tudo aquilo que, vindo de dentro ou de fora de nós, nos incita à prática – por pensamentos, palavras, ações ou omissões – de um mal moral, de um pecado” – Dicionário de Espiritualidade. Mas porque a tentação nos inclina para o mal não significa que ela – quer proceda dos nossos desejos desordenados, quer dos outros, quer do diabo – seja exclusivamente negativa aos olhos de Deus.

 As tentações existem e existirão, e o importante é que Deus nos ajuda a vencê-las. Isto porque a tentação pode ser muito útil para firmar-nos no bem. É um “benefício”, pois tentação é a mesma coisa que “provação”, ou seja, “uma prova”, um teste da virtude: “Feliz o homem que suporta a tentação. Porque depois que tiver sido provado, receberá a coroa da vida, que Deus promete aos que o amam” - Tg 1,12.

 A tentação prova-nos como o fogo prova o ouro – 1Pe 1,7. O s justos, os santos tiveram de enfrentar sofrimentos e provações: Deus os provou e os achou dignos de Si. Ele os provou como ouro na fornalha, e os acolheu como holocausto - Sab 3,5-6.

 As nossas virtudes são provadas a cada instante. Todos os dias somos tentados em agir mal: perder a paciência, abandonar um dever ou propósito, nos ferir uns aos outros com palavras ou atitudes, nos deixar arrastar pela sensualidade e pelas desordens do coração...

 Muitos reclamam da constância das tentações, que parecem querer frustrar o nosso progresso. Pensam que as “tentações só atrapalham e perturbam”. Considerando o ensino do “Pai Nosso”, Deus, com certeza, pensa de outra forma. Ele tem uma intenção ao permitir que sejamos tentados: não é para impedir a prática do bem e da virtude, mas para fortalecer nossos bons propósitos.

 A vida folgada nos leva à preguiça, a preguiça produz o sono, o sono nos leva a inércia espiritual, a inércia gera a falta de vigilância e o abandono da oração, e isso é a morte!

 Um ensino dos “Padres do deserto”: “A tentação é útil para nos sacudir, despertar e obrigar-nos ao combate, que, com a graça de Deus, venceremos”!

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

Deixe seu comentário

Últimas


O conteúdo do Natal nos Padres da Igreja - 14/12/2017

Perdemos o senso do Natal! - 13/12/2017

Dia de Nossa Senhora de Guadalupe - 12/12/2017