Reflexões / Matutações

O Cristão Hoje

10/08/2016

Observando nosso “ambiente cristão” D. Frei Boaventura KIoppenburg escrevia "O erro mais difundido e terrível entre os cristãos é este: a separação entre fé e vida (. ..) ensinar uma coisa e viver outra. É o farisaísmo, a hipocrisia, o fingimento. Uma coisa é saber e ensinar; outra coisa é fazer e viver”. – Ruptura entre Oratório e Laboratório.

A partir desta observação, D. Boaventura, aprofundava a questão afirmando que o problema não é só daqueles que ensinam a fé cristã é também e principalmente daqueles que a professam, ou seja, de todos aqueles que se dizem cristãos. E a semelhança de Romanos 1 e 2 aponta uma lista daquilo que observa (observamos) entre os “cristãos modernos”: professam crer em Deus e vivem como se Deus não existisse; rejeitam o assassinato e praticam ou favorecem o aborto; reprovam o roubo e se apoderam do que não lhes pertence; sustentam o primado do espírito e vivem como materialistas; aceitam a indissolubilidade do matrimônio e vivem como bígamos; acumulam fortunas e falam de justiça social enquanto o pobre vive na miséria; afirmam a imortalidade da alma e atuam como se nada esperassem depois da morte; apoiam campanhas contra a pornografia e adquirem material obsceno; atestam ser católicos e não cumprem suas obrigações mínimas, muitas vezes agindo como inimigos da Igreja; condenam a adúltera e dormem com a amante; condenam a mentira e enganam sem escrúpulos; declaram crer em Jesus, mas de seus ensinamentos só aceitam o que lhes interessa; exaltam o amor ao próximo e exploram seus subordinados; louvam a piedade e não rezam uma oração.

A fidelidade a Jesus ao seu Evangelho de Jesus e à Igreja constitui o martírio do cristão hoje. Talvez não o martírio em arenas, à moda dos primeiros cristãos, mas o martírio de ser testemunha de Jesus em meio ao mundo secularizado, ateísta, dessacralizado e individualista. Ser mártir hoje é testemunhar Jesus de uma forma intensamente desafiadora, que não durante alguns instantes ou meses, mas dia após dia, segundo após segundo.

Todos nós temos a experiência de, devido ao nosso desejo de sermos fiéis ao Evangelho e à Igreja, sermos incompreendidos por familiares, amigos, colegas de trabalho e até mesmo por membros da própria Igreja. E para isto é que Deus nos reservou: o testemunho em meio à incompreensão, como o sal, o fermento e a luz, de que Jesus falou. Estes três elementos vão conquistando o meio em que estão pelo que eles são, pois não há força comparável à força do Espírito que age em nós e nos leva a testemunhar Jesus Cristo pela fidelidade da caridade.

(CONTEMPORANEIDADE 2)

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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