Reflexões / Matutações

Fé e vida

09/08/2016

Assistindo os noticiários e pensando neste momento da história humana, neste período denominado pós-modernidade (conceito difuso), vemos que as consciências influenciadas pelo relativismo de valores e educação omissa, passam, a serem formadas dentro de critérios de valores subjetivos, tomando-se laxas ao ponto de serem consideradas "preconceituosas" pessoas ou instituições que se firmem em valores objetivos e evangélicos. Para este homem "todo poderoso", a fé toma-se algo perfeitamente dispensável. Cabe ao homem estabelecer o certo e o errado, assim como a ele cabe construir o que, segundo seus próprios conceitos, lhe convém. “É o homem que constrói a própria história e a história de nações inteiras e que cria, por consequência, uma civilização afastada da fé que, longe de ser fundamento, é um valor opcional, individual e supérfluo, acerca do qual é mesmo falta de educação e desrespeito ao direito pessoal se tecer comentários” – Bento XVI.

O homem "todo poderoso" rejeita tudo o que significa oblação e morte para si mesmo. Não entende o que significa renúncia e considera "amor" o que lhe proporciona prazer e preenche, ainda que momentaneamente, suas necessidades pessoais. A consequência é que a paixão, morte e a pregação de Jesus passam a constituir-se para ele não mais um "escândalo e loucura", mas "uma bobagem, uma lenda, um mito". Tal homem não se sente necessitado da salvação proposta por Jesus, que passa pelo “perder a vida”. Este homem se inclina à autossuficiência, ao ateísmo, à mentalidade individualista e secularizada. Suas necessidades pessoais são seu único interesse que o leva a não ter laços afetivos com nenhuma instituição, com nada ou ninguém que o "prendam" ou limitem na sua sede de consumo, de novas emoções, de novidades fascinantes.

É urgente que nós, como Igreja, respondamos a esta situação que tende ao caos social e moral. O cristão consciente não pode mais cruzar os braços. Se alguém pode ser apontado como principal responsável pela evangelização desta cultura dita pós-moderna, somos nós que estamos no mundo: escolas, promoção da cultura, meios de comunicação, família, mundo do trabalho, política... Cabe a nós comprovar com nossa vida que, ao contrário do que o mundo secularizado pensa, o "sagrado" não se opõe ao "secular", mas dá-lhe sentido, pois "o Santo faz oposição ao pecado, à ruptura com Deus", principais fontes da escravidão do homem.

Nossa primeira e indispensável obrigação é ser absolutamente fiel a Jesus em Sua Palavra e ao Magistério da Igreja. Paulo VI já comentava como o homem hoje está cansado de palavrório. Decepcionado com a incoerência entre fé e vida - principalmente dos cristãos - o homem hoje ouve mais as testemunhas do que os eloquentes mestres. A unidade entre fé e vida é a arma mais poderosa para estabelecer a "civilização do amor" e contribuir fundamentalmente para a evangelização da cultura. (Contemporaneidades) 

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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