Reflexões / Matutações

Renunciar a si mesmo

04/08/2016

O que significa “renunciar a si mesmo”? Por que se deve negar a si mesmo? Conhecemos a indignação dos filósofos “do bem viver”, defensores daqueles que fazem do “direito de ser feliz” uma desculpa para não se comprometerem com qualquer coisa que implique em “renúncia”. Tememos que sendo fiéis a Deus, vivendo a partir de critérios diferentes aos do mundo, perderemos algo e seremos tolos e infelizes. As nossas desculpas ou racionalizações se referem sempre a essa exigência fundamental do caminho: renunciar a si mesmo. Renunciar a si mesmo não é uma operação autodestrutiva e frustrante, mas o golpe de audácia mais inteligente que podemos realizar! Atitude que exige coragem e convicção de que as palavras que nos chamam é a verdade.

Na realidade Jesus não nos pede para renegar o “que somos”, mas “aquilo no que nos convertemos”. Renunciar, não o que Deus fez que é “muito bom” (Gn 1,31), mas o que nós fizemos, usando mal nossa liberdade: o pecado e as “incrustações” geradas por ele que se disfarçam nas diversas desculpas quando confrontados com a Palavra. “Renunciar a si mesmo” não é, portanto uma operação para a morte, mas para a vida, para a beleza e para a alegria. Renunciar a si mesmo é voltar-se para Deus como Cristo que renunciou a Si mesmo por amor a todos nós. (Flp 2,6-7).

(meditando Mateus 16,21-27)

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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