Reflexões / Matutações

A força de uma imagem

01/08/2016

A força original de uma imagem, já abundantemente presente no Antigo Testamento para descrever as relações de Javé com seu povo, foi assumida por Jesus e se refletiu nitidamente na vida dos primeiros cristãos. Refugiados nas catacumbas, sempre prontos a dar a vida por Jesus, deixaram-nos a primeira representação simbólica de quem havia dado a vida por seu rebanho: um jovem pastor que leva uma ovelha sobre os ombros.

Para um povo nômade, como foi Israel em suas origens, a figura do pastor que guia seu rebanho e o serve em suas necessidades era, evidentemente, muito familiar. Depois, ao instalar-se na Palestina, essa figura não deixou de alimentar sua reflexão teológica, especialmente através das profecias de Jeremias (Jr 23) e de Ezequiel (Ez 34), os quais, além de contrastar a imagem do bom pastor com a dos falsos pastores, abriram o horizonte da esperança para um só e único Pastor.

Armado com seu cajado contra animais selvagens e ladrões, disposto a arriscar a vida em qualquer agressão, o autêntico pastor de que nos fala a Escritura não tem nada a ver com os mercenários e profissionais, que só trabalham por dinheiro, que não se comprometem pessoalmente e não se arriscam pelos bens e pessoas que lhes são confiados ou dependem dos benefícios ou deficiências de seu trabalho.

Nosso ambiente cultural é propicio para o desgaste de imagens e símbolos naturais; entre outros, este do pastor e do rebanho. Inclusive, em se tratando de pessoas, freqüentemente se torna pejorativo para o homem moderno falar de ovelhas e de rebanho. Isso nos obriga a purificar a imaginação e a recriar as imagens originais, com seu próprio sentido representativo. Por exemplo, a imagem do assalariado, cuja condição não é desonrosa, mas corre o risco de encarnar uma sociologia especial, com os aspectos negativos que aparecem na Escritura.

Recorrendo a nossa capacidade contemplativa a partir da exterioridade das referidas imagens até a ampla e profunda interioridade do mundo espiritual que são capazes de representar, podemos consentir meditativamente com uma primeira e fundamental característica do pastor que Jesus quer ser: o que dá a vida par suas ovelhas. Podemos descobrir em nosso coração e em nosso modo de agir as ações perigosas do mau pastor (Ez 34,4-6).

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

Deixe seu comentário

Últimas


O essencial na vida cristã - 23/10/2017

A maturidade cristã - 20/10/2017

O farisaísmo é “um caminho segundo a carne” - 18/10/2017