Reflexões / Matutações

A árvore de vida

13/07/2016

Um antigo mito do Oriente Médio mesopotâmico imaginou uma árvore cujo fruto comunicava a imortalidade. Ao elaborar o relato da Criação (Gn 2,9; 3,22), o autor bíblico recorreu a essa tradição para expressar um desígnio divino para o homem. "A glória de Deus é o homem vivente", dizia Santo Irineu, um dos primeiros autores cristãos.

O relato do Gênesis fala de duas árvores. Uma colocada ao lado da outra: a árvore da vida e a árvore da ciência do bem e do mal. A primeira encerra um gratuito chamado à vida, que é preciso aceitar como dom de Deus. A segunda é um desafio a viver na verdade: só Deus é Deus; a vida aceita como dom de Deus coloca-nos na autenticidade das limitações humanas como criaturas do Amor, que aceitam ser guiadas no caminho do bem. Introduzidos numa morte sem saída por causa do pecado auto-suficiente, os homens nunca deixaram de sonhar com a imortalidade. As antigas mitologias expressam eloquentemente esta aspiração universal, para a qual Jesus dá resposta precisamente de uma árvore, a da cruz, na qual vence a frustração da morte. Nas vésperas de sua Paixão, o próprio Jesus apresenta-se como uma árvore de vida na comparação da videira e dos ramos, para uma imortalidade. Quem se enxerta nesta arvore tem já a imortalidade e a terá eternamente.

Tomamos consciência de que ser cristão é permanecer na árvore da vida. O que significa muito mais que um vínculo meramente emocional ou intelectual, ou puramente circunstancial; é uma pertença profundamente arraigada em todo o ser, um intercâmbio vital, uma relação de entrega total, uma nova identidade que nos arranca de toda falsificação pseudo-humana e nos enraíza e recentraliza em Cristo Jesus. Isto é, fazemos viver da seiva de Deus, do sangue de Cristo, do seu modo de pensar (sua Palavra) e de viver (sacramento).

(meditando Gênesis 2,9)

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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