Reflexões / Matutações

Sou Eu

04/07/2016

A esperança cristã tem seu fundamento no encontro com o Deus vivo que vem a nós em Cristo Jesus e nos promete, por seu Espírito, a vida em plenitude em seu Reino. A Igreja nunca descuidou de anunciar esta verdadeira esperança fundamentada nos bens divinos. Mas, não poucas vezes, na prática pastoral, colocou-se tanta coisa antes a acima do verdadeiro fundamento da esperança cristã, que o escondeu aos olhos da maioria dos fiéis.

Quase não se fala em vida eterna. Acontece que hoje, na Igreja, fala-se de tal modo de direitos humanos, de justiça social, meio ambiente, criação de um mundo melhor, transformação da sociedade, etc., que dá a impressão de que a mensagem de Jesus e da Igreja reduz-se apenas a um horizontalismo que, em última análise, coincidiria com a transformação social e política deste mundo, com a implantação da paz e da justiça seria o Reino. Não podemos negar o valor e a necessidade das ações sócio-transformadoras, tampouco negar que à fé cristã pertence intrinsecamente o dever de trabalhar pelo melhoramento do mundo.

No entanto, não se pode esquecer, em nome do dever de buscar a paz e a justiça social, o fundamento da nossa esperança cristã: a fé no Deus vivo, revelado por Cristo, como Aquele capaz de nos dar a esperança da vida eterna. “Chegar a conhecer Deus, o verdadeiro Deus: isto significa receber esperança” (Spe Salvi 3). É esse mesmo fundamento que há de dar vigor ao nosso trabalho, transformando o mundo e a vida a partir de dentro. Não se pode colocá-lo em segundo plano em nossa atividade evangelizadora e pastoral. Não se pode relega-lo sem grave erro e mesmo traição ao Evangelho. (Lendo a Spe Salvi – Bento XVI)

Autor: Tácito Coutinho - Tatá - Moderador do Conselho da Comunidade Javé Nissi

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